quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O pum, o gambá, a alma e a morte...



A mãe distraída, dele, mas absolutamente investida em sua leitura.

O garotinho, poucos dois anos e tanto, talvez três, brincando ao redor dela

De repente, um sonoro e fedorento pum!

A risada da criança e, inevitavelmente, a atenção (finalmente!) da mãe.

Então, outra surpresa:

-Mãe, será que o gambá se incomoda com o próprio cheiro??

Que pergunta! Grande e profunda filosofia!!!

Em geral não se incomodam, os próprios sujeitos, com os próprios cheiros!

Aos outros, talvez. Neste caso, o do pum, sempre!

A mãe ficou lá cismando....e disse a êle:

-Pelo visto, o gambazinho aí não se incomoda nem um pouco! Pelo contrário, acha graça!

Mas não parou por aí a aula de filosofia!

Em seguida, o garotinho lasca essa:

-Será que a alma da gente é assim?

Sai do corpo como um pum...e sobe para o céu quando a gente morre?

Aí já foi demais!

Tamanha tentativa de elaboração das coisas que saem das pessoas, da alma, da morte...deixou mesmo a mãe com as suas questões pelo resto do dia, do ano, da vida e talvez, até hoje!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Com crianças, não vale a maquiagem !


Ingrid tinha mais ou menos 3 aninhos e, no colo , num ônibus, ia toda serelepe.

 Era dia de passeio com a mãe.

A pequenina, vivíssima, observava tudo à sua volta.

Sentavam-se naquelas cadeiras que ficavam umas à frente das outras, de modo que se podiam reparar as pessoas, face a face.

Os olhinhos da garota não paravam!

Até que, de repente, ficaram grudados numa senhora bem à frente das duas, mãe e filha.

 A baixinha não parava de olhar aquela figura esquisita, tão pintada e com tanta maquiagem que parecia recoberta por uma argamassa.

 Batom e “rouge” bem vermelhos, olhos com sombras azuis, os cílios postiços alongados e bem pretos.

 Maquiagem das pálpebras de “kajal”. Lembram-se do “kajal” da avon?

Lápis macios e bem pretos, para deslizarem facilmente nas pálpebras e contorno dos olhos.

A mãe, já desconfiada de que a filhinha iria fazer algum comentário, “tremeu nas bases”...

E não se enganou.

De repente ela se dirige à senhora:

-Por que a senhora está tão maquiada?

 A senhora, toda simpática responde:

-Para eu ficar bonita, ora essa!

E a criança, com a sinceridade que é comum às crianças, solta essa:

-E por que é que a senhora num tá bonita?

A mãe quis se esconder, mas não foi possível!

Todo o ônibus já tinha ouvido!!!

Sorrisos e entreolhares sorrateiros seguiram viagem com os passageiros naquela manhã de verdade!

Faça um lugar melhor pra você e pra mim!!!! De coração!!!

Aí está, pessoal, o que uma criança pede ao mundo! Seria uma boa candidata à presidência, não é?



quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Na falta de....uma caderneta de poupança!!!



Desde que viu, sem a fraldinha,

bem peladinha,

a menininha

da vizinha,

que o pequeno rapazinho de tres anos passou a ficar inquieto!
Rodeava, rodeava a mãe e ensaiava cada hora uma pergunta:

- Você tem um pipiu?

- Não???

Rodeava, rodeava e...

- Mas, então, como é que você faz xixi?

Mais uns dias, mais umas voltinhas e de novo lá vinha o baixinho:

- Por que é que você não tem “Pereira”?

- Uái! Todos os homens daqui de casa tem “Pereira”. (o sobrenome do pai)

A mãe começou a perceber a questão...e diz:

-Todos os homens tem “Pereira”, mas eu não sou homem...

Até que em ato de desespero ele diz, penalizado,todo carinhoso e sedutor:

-Não se preocupe nem fique triste porque você não tem “Pereira”. Eu vou comprar um pra você no hospital!

E, em última instância:

-Se eu não achar pra comprar,

quando eu crescer eu vou lhe dar uma caderneta de poupança!

 Tá resolvido!


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Gostei, mas quero cuspir!!!




De novo, sempre, mineiros e montanhas...uma fazenda.
Comida boa, aconchego do fogão de lenha, clima frio, tudo bem.
 O menino inapetente, ou melhor, bem exigente, que escolhe demais o que deixa entrar ou não, o que deixa passar ou não, para dentro de si.
 Com certeza, as vezes incômodo, pois muitos se metem a insistir mais ainda, quando ele recusa algum tipo de comida. E isso acaba sendo frequente.
Oferecem, ele recusa.
Oferecem ele recusa.
Até que a tia, já perturbada, diz a ele:
- Pelo amor de deus, menino!Não faça mais isso. Tá ficando chato! A cozinheira tão boa, a comida tão gostosa! Por favor, seja educado! Da próxima vez em que ela te oferecer alguma coisa, aceite!
-Tá bom, tia..!
Ato contínuo, a cozinheira orgulhosa de seus petiscos chega com um pratinho de doce de leite.
-Quer, querido?
- Ahammm...diz o garoto olhando pra tia.
Vapt vupt, doce de leite no prato e a tia de olho, esperando a colherada do garoto. Ele obedientemente põe um cadinho do doce na boca e a fecha com cuidado, sem nem um movimento mais. A tia curiosa o observa, bochecha cheia, e nem um movimento de deglutição.
Vem então a cozinheira e diz:
-E aí? Gostou?
Boca aberta, pra não sentir nenhum gosto...tentando falar sem mover a língua, o garoto diz, ou quase, tão difícil era a tarefa:
-GORRRRTEI....MAR QUÉ CURRRRPI !
Não houve como não constatar! O cara era mesmo voluntarioso!
Não iria meeesmo engulir qualquer coisa, a não ser que desejasse!!!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O SUMIÇO DAS MÃES, FANTASIA UNIVERSAL?

Que criança,em algum momento da vida não sonhou com o "sumiço da mãe"? Fantasia de independência ou desamparo, enfim....o "ser livre da mãe"...alegria, alívio e horror??Algumas crianças ou quase todas já, em algum momento se perderam delas, sofreram e fizeram-nas sofrer..Talvez seja mais adequado dizer que "se fizeram perder delas".Algumas fizeram questão de observar se as mães foram "capazes de perdê-las".Momento crucial de experimentação para as partes, criança e mãe.


Este vídeo, da turma da Mônica, de Mauricio de Souza, tão assistido e apreciado pelas crianças, comprova isso.





domingo, 15 de agosto de 2010

Hoje eu entendi o que é neurose!...


Onze da noite...

O menino já quase dormia.

Só não dormia mais profundamente porque a mãe ainda não havia chegado de sua reunião.

O telefone dispara a tocar.

O menino acorda. Pensa:

-Isso são horas de chamarem as pessoas? Que será?

Corre ele até a escandalosa campainha, mais para fazê-la parar, que para ouvir o que havia do lado de lá.

- A doutora está?

-Não, mamãe vai chegar tarde hoje, está em reunião.

-Seja a hora que for, peça a ela para me ligar. É urgente! Preciso muito dela, tenho que falar com ela ainda hoje!

O menino ouve o choro e a voz agitada da mulher.

-Mas ela vai chegar tarde, diz ele sonolento e já quase dormindo.

- Minha pia da cozinha entupiu! Preciso falar com ela!

-Está bem, eu dou o recado, disse ele espantadíssimo.

Passaram-se séculos até que a porta se abriu e a mãe chegou. O menino, despencando de sono, jogou-se nos braços dela e disse:

-Graças a Deus você chegou!

-O que houve, meu filho?

-Acho que hoje eu entendi o que é neurose, mãe. Uma mulher ligou e disse que precisa falar urgentemente com você porque a pia dela entupiu! Não seria mais prático, ao invés de ligar para a analista, ela chamar o desentupidor?