domingo, 12 de dezembro de 2010

Borboleta Pequenina, canção lindinha para dizer "Feliz Natal" !!!

domingo, 5 de dezembro de 2010

"Bigada", papai!


A menininha adoentada, um pouco febril, talvez angustiada com alguma coisa, chorava sem parar no colo da mãe.
 A mãe, talvez febril, mas de outra febre, afligia-se com o choro da pequenina, por não saber o que fazer para atendê-la e também chorava.
A pequenina, entre rios de lágrimas, no colo da mãe, gritava:
- Eu quero a minha mãe! Eu quero a minha mãe!
A mãe, sem entender o que se passava dizia tentando acalmá-la:
-Mamãe está aqui com você, mamãe está aqui!
Nada tranqüilizava o choro da garotinha de dois anos. E ela continuava:
- Eu quero a minha mãe! Eu quero a minha mãe!
Imaginem a angústia da mãe, que não se sentia reconhecida naquela hora!
Até que chegou o papai, que, vendo a cena terrível, as duas, mãe e filha chorando e aquele escarcéu aparentemente sem sentido, tomou a filhinha nos braços, carinhosa, mas firmemente e levou-a para o quartinho dela. A mãe fez menção de acompanhá-los, mas o pai a impediu:
-Deixa comigo!
A mãe chorosa, mas confiante, se afastou.
O pai pediu que lhe entregassem o pratinho de sopa que a criança recusava, sentou-se ao lado dela e disse:
-Agora chega. Pare de chorar e coma.
Ela, soluçando, foi se acalmando e pouco a pouco, nas mãos dele, tomando sua sopinha às colheradas, regadas das últimas lágrimas que lhe restavam.
Terminada a sopa, o pai deitou-a na caminha, cobriu-a, beijou-a e disse a ela que dormisse. Foi então que, para surpresa de todos a pequenina, tão pequenininha, olhou-o com carinho e disse:
- "Bigada", papai!
O pai:
-Quê? "Bigada" por quê?
-“Bigada por que você não "enta" no jogo!”
Sob o olhar espantado do pai, fechou os olhinhos e adormeceu.

domingo, 21 de novembro de 2010

"Saco de falta de educação"...Criatividade é tudo!



Vovó ligou para a netinha de 7 anos para convidá-la para um sorvete!
-Não, vovó, hoje eu não posso passear com você, porque meu saco de falta de educação está cheio!
A vovó espantada:
-Como? Que estória é esta de "saco de falta de educação" cheio?
-Uai, tem um "saco de falta de educação" aqui em casa... Papai guarda num saco, desses de lixo, um brinquedo predileto meu, toda a vez que faço falta de educação. E o meu saco de falta de educação está cheio!Estou de castigo!
-Credo, menina! Você anda tão sem educação assim?Sendo assim, fazer o quê? Vamos obedecer ao papai e vê se melhora a barra aí, né? Pra gente poder sair e tomar sorvete outra hora!


É engraçado como falar de pai não admite muitos volteios, se se trata de um pai vivo, real e presente.
 A um pai não se dribla facilmente, não se engana a qualquer hora, se ele preenche os requisitos anteriores.
De um pai se espera suporte,  que é diferente de apoio, porque há coisas que um pai realmente não pode apoiar.
 E olha que é preciso criatividade!

domingo, 14 de novembro de 2010

A falta, ainda bem, faz falta! Uma outra versão

Um dentinho lhe faltava, desde que, naquele dia de eleições, feriado cívico, ele havia ido com os irmãos e pais ao clube.
À beira da piscina, feliz da vida ele saltava e pulava e corria!
Nadava, mas não contente com tanto movimento, resolveu subir na grade que cercava a piscina infantil, pensando talvez que conseguiria fazer uma escalada bacana!
Esqueceu-se de que, havia a possibilidade de erro.
Os pezinhos molhados, escorregou e bateu a boca na grade!
Adeus dentinho de leite, aquele bem da frente, os dentistas o chamariam de incisivo superior.
Incisiva foi a perda.
Mamãe catou no chão o dentinho e saíram em busca de um dentista que fizesse de imediato o implante.
Ninguém, de todos os procurados, foi encontrado imediatamente.
Era dia de eleições e folga depois da votação.
Quando finalmente o dentista atendeu o garotinho, o implante foi feito e apesar do cuidado, o implante não funcionou.
Tempos depois... muito tempo depois...
O menininho, agora com 6 anos, se olhava no espelho.
-Mamãe, até que eu sou muito bonitinho, né? Mesmo sem esse dentinho...
Aí começa a rir e diz:
- Se não fosse por 10% de modéstia que me faltam, eu seria 100% perfeito!
Ainda bem que falta modéstia, mas ainda resta modéstia para que o menino se veja bem, mas com alguma falta!

A falta faz falta!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Dilema atroz, ou 'diadema retroz' !

 Beto só conheceu um avô, o paterno.   Não conheceu o avô materno, mas, tem duas avós que o mimam e se revezam cuidando dele, buscando no colégio, essas coisas. Outro dia, uma das avós estava dando banho nele, e os dois se divertindo com aguaceiro e cantorias, quando ele diz em tom suspiroso:
-"Eu queria ter uma avó só".
-"Ora, Beto, por que isso agora"?
 E ele:
-"É que quando tô com uma, sinto saudade da outra".
 Ai, ai, ai...
E aí vem a  observação maliciosa da tia, que me enviou esta história:
-"Será qual delas ele  vai detonar prá resolver esse ' diadema retroz' ?

domingo, 7 de novembro de 2010

Do livro de Marina:"O PAPAI NOEL"


Há momentos em que as crenças e a desilusão se debatem, sem tréguas.
Um deles é certamente o momento em que Papai Noel e sua existência, entram em questão...
Quem é Papai Noel?
Ele existe?
Se não existe, como explicar a origem dos “presentes” que de repente aparecem no Natal?
Tal dúvida é contemporânea de muitas outras.
Se Natal é nascimento, nascimento de quem? Do menino Jesus? Que tem a ver Jesus e o Papai Noel?
Que confusão!
De onde vêm os meninos, Jesus ou Noéis, ou outros diferentes?
Transcrevo aqui algumas passagens do livro de Marina, uma menininha de 6 anos, neste exato momento pontual de suas questões sobre o assunto, na forma em que ela conseguiu escrever, quando iniciava suas primeiras letras:


“ Era uma vez...
Uma criança que adorava aprontar.”



"Ele se chamava Noel.
Um menino mais...tão safado, que todo futebol ele fazia mais gols!”



“Um dia quando tinha 113 anos ele só era chamado de Papai Noel, porque ele era a pessoa mais velha do mundo”


“ Quando tinha 152 anos ele desapareceu e outra pessoa nasceu, o Cristo, e esse homem só foi visto no dia 25 de Dezembro. Ele se chama Papai Noel”
“No dia 25 do 12, o Cristo foi visitado pelo Noel que lhe deu o presente da vida”


“ Um dia nasceu outro menino, mas ele era diferente?
–Era. Era diferente.”



“Com ou seis ou sete, ele acreditava em Papai Noel.

– E é assim: quem acredita em Papai Noel ganha presente.

E quem não acredita em Papai Noel não ganha presente. É assim a regra do Natal.”



Dá para notar que por aquele Natal, Marina resolveu sustentar a todo o custo sua "crença" em Papai Noel, por motivos utilitários.
Mas não antes de nos dizer, através de seu livro que ela não acreditava mais..
Seu "Noel" parecia muito com o pai.
O menino Noel até jogava futebol e usava uma camisa do Galo, o time do coração, dela e do pai...Mas diante das "regras do Natal"...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

MAIS VALE A VERDADE QUE A MENTIRA! De novo, Josué e sua fábula...




Ao ser solicitado, pela professora a escrever uma história com uma moral no final, Josué me solta essa:

"Um dia o neto Mário conversava com a Vó chamada Denise:

_ Vó Denise como você pode provar que é mesmo minha vó?

_ Meu neto, que pergunta boba é essa?

_ Vovó, e se a senhora não for minha vó verdadeira?

_ Não vê que eu pareço com seu pai? Sou sua vó.

_ Mas tem muita gente que se parece e não é parente.

E agora quem vai me dizer a verdade? Você é ou não é minha avó?

A avó pensou,pensou e falou:

_ Meu neto, eu me chamo Denise Caldeiras Dantas você se chama Mário Caldeiras Dantas Neto. Viu?????

O menino ficou muito feliz, pois a verdade apareceu.

Ele era mesmo neto de Denise.



Moral da história:

Mais vale a verdade que a mentira.

Observação do autor: Os personagens não existem, ok?

Autor:Josué Lopes Barbosa Neto."

Nota : Reparem o sobrenome de Josué! rsrs
*Colaboração de Fernanda Araujo Porto

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

"PARA CASA" OU "PARA A MÃE"??




A mãe, à tardinha, cansada do dia de trabalho.

Esperança de chegar em casa e encontrar tudo em ordem.

A casa de pernas pra cima, as crianças de pernas para baixo e  lavadas, roupinhas trocadas.

Talvez o lanche na mesa...

Esperança de achar tudo em paz, não perfeito, mas quase feito.

Quem sabe o caminho traçado para um descanso merecido.

Mas...

Os olhos postos na mesinha de estudos do filho de 7 anos, caderno aberto, branco, sem letra escrita, lhe diz que não é bem assim...

- VOCÊ NÃO FEZ O “PARA CASA”?

Toda a fantasia de fim de dia, descanso, sossego, derrubada no chão daquela realidade mais que palpável!

O garoto com ares malandros, mas assustados...

-Uái, mãe, estava te esperando!

-ME ESPERANDO???

-É, estava te esperando pra fazer o dever comigo...

-A ÚNICA COISA QUE VOCÊ TINHA PRA FAZER A TARDE INTEIRA... EU TRABALHANDO E VOCÊ ESTAVA ME ESPERANDO?

Silêncio, de suposto arrependimento e mal estar. A mãe possessa:

-VOCÊ PENSA QUE O COMPROMISSO DO “PARA CASA” É COMIGO?
O COMPROMISSO É COM A ESCOLA, TÁ OUVINDO?

Aí vem prontamente o que nós analistas chamamos intervenção analítica, correção subjetiva, ou seja, algo desta ordem... um corte!

-Se o compromisso não é com você, por que é que você está tão nervosa?

É mesmo preciso se perguntar e se dar conta de “Para Quem” é o “Para Casa”.

Que endereço tem esse “Para”, a fim de que se situem os lugares da relação... seja ela qual for

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Galo Forte Vingador!!! Paixão herdada!

Quem disse que as crianças não se apaixonam, não se entusiasmam, quando se trata de participar do mundo?
E participar do mundo também é apostar, torcer, querer vibrar junto, acreditar que a vida é alegre e pode ser boa.
Vejam a cena em que duas atleticanas, pequenas, acompanhadas do pai, fizeram sua estreia cantante num grande clássico. Momento campeão!
Animadas, decididas, acompanhando atônitas a força da turba, torcida atleticana, as crianças cantam o hino, que já sabem de cor: "Clube Atlético Mineiro, Galo Forte Vingador...Clube Atlético Mineiro, uma vez até morrer..."

Não é fácil ser atleticano, como não é fácil se entregar à vida e às paixões!

Compromisso com a cor, a alma, a voz e o oceano de gente, que unida, faz a onda num só sonho!

Domingo à beira, de novo, de um rebaixamento, somos, atleticanos, colocados à prova!
Contra o...

o nome do adversário não importa, mas não é qualquer um!

Talvez os adversários não tenham nome mas representem aquilo contra o que não consigamos resistir: nossos medos, nossa inércia, nosso indefectível desejo de ser nada...

Mas, desta vez, vitória!!!

Gostinho, aposta, postamo-nos, valentes, a postos para ainda mais ...

Como diz a menininha, atleticana, pelo vigor de sua determinação:

- "A vida não é para apreciar...a vida é pra seguir em frente!"

Aí estão elas, prontas para a proxima luta! Que será de vida!

Veja também http://amotorresmo.blogspot.com/

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

"QUASE MORRI DE QUEIJO!"

Este episódio delicioso, eu o li hoje enquanto esperava meu carro numa concessionária, atendendo a um "recall", que alertava sobre a minha...a aceleração que poderia se desgovernar, caso não trocasse uma fita protetora. Bem, tomo-o emprestado de Fernando Brant, torno-me indiscreta, como costumam ser os mineiros se lhes apraz contar um "causo". Dizem que um mineiro, se conversa com mais de dois, faz uma "inconfidência mineira" fácil, fácil. Mas a mim, o que me move, mais parece a alegria de ver Fernandinho contando coisas da infância, anterior mesmo  àquela em que topei com ele, Ronaldo, Maria Célia, e, às vezes Roberto, nalgumas partidas de bolinha de gude em Diamantina, onde fomos crianças e companheiros de brinquedos.Então encontro-me, eu mesma, com a minha  infância. Dia de "recall".

Diz ele sobre os queijos e suas variedades:
" Quando alguém diz a um mineiro essa palavra, o paladar se abre e ele sente o perfume e o gosto de seu alimento predileto"
E é aí que ele entrega, não sem um gostinho também de infância, a confissão de uma travessura até então encoberta pelo tempo, sei lá por que razão, e que ele deixa vir com o aroma e o gosto do queijo:
"Veio-me à lembrança um fato ocorrido comigo antes dos meus 5 anos, em Caldas, cidade em que nasci. Pensei em contar mas me calei, não sei por que razão. Um dia deram por minha falta e procuraram em todos os cômodos da casa, na rua, convocaram os vizinhos para a busca.Passado um tempo, alguém resolveu abrir o armário da copa. Lá estava eu, branco feito leite. Aberto a porta, eu teria escancarado a boca e minha garganta despejado meio queijo no chão. Coisa de menino mineiro esganado. Quase morri de queijo."  do Estado de Minas, 4a feira, 27 de outubro, "Conversa de mineiros"
Que delícia a imagem para nós, que prezamos o queijo a ponto de nos embriagarmos, na volúpia do gosto e do cheiro!
 Quase morrer de queijo é quase como morrer de amor!

(veja também http://amotorresmo.blogspot.com/ )

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

"E se eu quisesse beijar uma mulher?"



Rafa, 7 anos,capturado pelas imagens das indefectíveis novelas de TV, ao que parecem, constantes na sua crônica de nosso tempo, de repente se agarra à cena de um beijo 'daqueles'.
 Rafa olha a cena sem respirar... E aí diz:
-E se eu quisesse beijar uma mulher?
A tia, que trabalhava ao lado, responde distraidamente:
-Beija, uai!
O  menino continua de olhos agarrados na cena e volta à carga:
- Mas...e se ela não quiser?
A tia ainda distraida..
- Uái, Rafa, num beija...ou então convence ela!
Rafa, pregado estava, pregado continua, cabeça a mil...:
-Mas e se ela estiver de batom?
Aí a tia começa a se interessar, preocupada pela intenção tão decidida mas ambivalente do pequeno homenzinho, que não se resolvia, dadas as possibilidades, a encarar uma mulher..
- Uái, Rafa, beija de baton mesmo, ou pede a ela pra tirar o baton... Resolve, sô!
Rafa fica em silêncio. O silêncio pesa.
A tia pensa:
- Que será que esse menino estará pensando? O que ele vai fazer com a 'mulher dele'?
Então, de repente, olhos vivos de quem achou uma saída, ele se pronuncia:
-Já sei! Eu mato a mulher!
- Tá bom, disse a tia, é bom mesmo você deixar esta questão pra mais tarde! Por agora, espere! Esse beijo ainda virá em boa hora!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Férias, feriar...ferir




Se estar de férias é feriar…ferir, como diz o Aurélio, como descrever os dias instigantes, lindos, espantosos e inesquecíveis em que se tem a chance deixar fluir a vida em companhia de tres crianças?

Feriar é interromper para descanso um período de trabalho.

Também é ferir, tocar, tanger. Bom.

Tocar, tomar proximidade a ponto de encostar, ouvir, falar, perceber, ver com olhos que escutam, escutar com ouvidos que vêem, banhar, pegar, pentear, pintar, arranjar, abraçar, por no colo, aninhar, adormecer...

Ferir é também fazer vibrar como às cordas de um violão recém adquirido e com cordas ainda não muito conhecidas, tesas, as vezes mal afinadas mas sonoras, até encontrar o tom!

Tanger é também dirigir, ordenar, guiar, cavalgar com elas ou puxá-las pelo cabresto, o que as vezes é necessário, antes que se percam de vez...

Cantar e ouvir a indefectível pergunta da pequenina:
Você foi convidada ou está cantando porque quer?

É sugerir que ela tenha modos à mesa e ouvir de novo:
 -Você hoje resolveu ser rainha? Mandar tudo e em todo mundo?

É ver com alegria a diferença, só possível, quando se as ouve.

Mais perguntas, agora da mais velha, menina, já enveredada em questões adultas:
 - O que é mesmo nazismo? Por que haveriam de perseguir judeus? Que sentido faz aquela japonesa usar saltos altos num hotel fazenda, meu deus?

A vivacidade e tomada do hotel pela outra, que de tão sociável e antropológica, pesquisa todas as origens do lugar, das pessoas, dos empregados, e o fotografa com detalhes a modo de uma reportagem!

Enfim, Férias, Feriar, Ferir! Não há como escapar de se deixar ferir por tantos toques, as vezes silentes, as vezes ruidosos de amores tão prontos, urgentes, vivos e imperdíveis de minhas crianças de açúcar!!!
 Doces e lindos pedacinhos de gente, que gente são! E como são!

domingo, 17 de outubro de 2010

Pensando na vida... até que vem a Matinta Perêra!

Josué escreve sobre a vida...
Eu estava aqui pensando na vida e vi a Lua. É um poder né? Tipo dos pokemon. Será que quando Deus criou a Terra a Lua estava lá já? Ou foi tudo junto? É tipo que o pai é o Sol e a mãe é a Lua. Será? Mas Deus tinha que criar a Matinta Pereira*? E aquela floresta ali na frente da casa tá escura. Tô aqui sozinho e acho que ouvi um barulho esquisito. Interrompo minha carta porque tô ficando com medo. Tchau, gente, que eu vou entrar pra dentro de casa!

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*A Matinta Pereira é uma ave de vida misteriosa e cujo assobio nunca se sabe de onde vem.
 Dizem que ela é o Saci Pererê em uma de suas formas.
Também assume a forma de uma velha vestida de preto, com o rosto parcialmente coberto. Prefere sair nas noites escuras, sem lua. Quando vê alguma pessoa sozinha, ela dá um assobio ou grito estridente, cujo som lembra a palavra: "Matinta Perêra..."

Para os índios Tupinambás esta ave, era a mensageira das coisas do outro mundo, e que trazia notícias dos parentes mortos. Era chamada de Matintaperera.

Para se descobrir quem é a Matinta Pereira, a pessoa ao ouvir o seu grito ou assobio deve convidá-la para vir à sua casa pela manhã para tomar café.

No dia seguinte, a primeira pessoa que chegar pedindo café ou fumo é a Matinta Pereira. Acredita-se que ela possua poderes sobrenaturais e que seus feitiços possam causar dores ou doenças nas pessoas.

sábado, 16 de outubro de 2010

Josué, a madrasta, a mãe e as mulheres !


 Josué, o pensador divertido, resolve fazer uma homenagem às mulheres por ocasião do dia das mães.
 A mulher homenageada é a madrasta, ops! no caso, parece, "boadrasta". Eis o texto escrito por ele:

Minha gente, minha gente, vamos homenagear estas mulheres tão especiais.
Elas cuidam da gente, são corajosas e tudo mais.
Meu Deus!!!! Como deixar de gostar dessas mulheres?
Sendo mães da gente ou não sendo, são as mulheres fortes.
Mas como sei disso tudo se sou homem? Boa pergunta...como o homem sabe isso tudo de mulher ,sendo homem???? Não quero nem saber!
Eu sou homem e vou dar parabéns às mulheres.


Parabéns, Tia Fernanda!



quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Josué, o pensador ! Notas do diário, nada secreto, de uma criança de 8 anos...


Com seus 8 anos, Josué fala pouco, é objetivo, concentrado e observador.
Porém, quando escreve (e ele tem seu diário nada secreto, pois de vez em quando ele o mostra), é diferente! De vez em quando ele solta uma "pérola", mostrando que está ligado nos acontecimentos.
 Geralmente, os dizeres do pensador têm um quê de perspicácia....
Eis alguns escritos de Josué:
  Opiniões sobre as pessoas:
Sobre Lucas, colega de sala:

Resolvi observar o Lucas porque eu acho que na casa dele tem alguma coisa esquisita. Quero saber se ele se dá com a família, porque vi a vó dele brigando com ele lá no pátio. Ontem fui ao aniversário e cheguei a uma conclusão: ele não gosta da família dele. E agora, como mudar isso?

 Sobre o pai:

Meu pai tem brigado comigo. Tudo bem que eu já tô de recuperação. Mas precisa gritar? Precisa ofender? Eu tô meio triste com ele. Mas, pai é pai, a gente tem que obedecer. Vou fazer o que ele manda e vamos ver no que vai dar.

Sobre Ingrid, meio-irmã:

Nada a declarar. Eu até gosto dela como irmã. Bye bye.

Sobre Tia Joana, professora de história e geografia:

Eu gostava da Tia Joana, mas agora ela está chata. Mas como eu diria...as pessoas mudam!! Ela até mandou um bilhete me dedando na agenda, dizendo que eu estava disperso. Como confiar numa pessoa dessa? Isso é amizade?

 Sobre Paula:

Essa é dura. Disse que me viu beijando a Ana Clara. Pura mentira..aiaiaiai.

Sobre Ana Clara:

I love you....eu gosto mesmo dela. O que foi? Ta rindo de que? Não posso expressar meus sentimentos?

 Sobre Tia Fernanda, a madrasta:

Ela me perguntou se eu gostei do passeio da escola. Não vou mentir: mais ou menos. Ela perguntou de novo, como assim mais ou menos, Josué? É assim, Tia Fernanda: nem mais...nem menos, entendeu? Fui claro?

Sobre Érick, meu primo:

Não liga, não comunica,...realmente, deu a louca nele.





sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Reflexões para quem queira enxergar!


Fefê tinha andado às voltas com a consulta ao oftalmologista e o processo demorado de encontrar os pequenos óculos (já que ela era pequenina também) que se ajustassem adequadamente à sua face.
O fato de que ela os queria bem lindos, bem coloridos, bem bonitos, pois era uma menininha vaidosa, também fazia parte da busca seletiva e da demora na compra dos óculos.
 Óculos à parte, a demora em encontrá-los deixou Fefê também às voltas com pensar o que seria seu “problema”, a correção dele, etc.
No mais, ela estava como sempre feliz e atenta.
Até que, finalmente, chega Fefê, toda orgulhosa, exibindo os lindos óculos cor de rosa, cheios de florinhas estampadas, no aniversário do tio.
Diz a vovó:
-Que linda você ficou! Ainda não a tinha visto com os óculos novos!
- Obrigada, vovó! diz ela, toda dengosa. Sentada ao lado da vovó, ficou silenciosa.
 Dali a alguns instantes, olhando muito séria para ela, diz:

-Vovó, será que cego pensa?

Neste breve momento entre a pergunta e a resposta, vovó se dá conta do “processo” a que a busca dos óculos e, finalmente, a correção da dificuldade teria provocado nela! Muito trabalho, muito pensar, talvez até, muito medo...

- É claro que cego pensa! Mas deve ser um jeito de pensar diferente de quem enxerga, você não acha?

Mas Fefê não parou por aí...

- E será que o cego sabe que a vida é dele?

Uau!!! Vovó teve certeza que Fefê tinha acabado de descobrir muitas coisas novas, talvez até alguma autonomia e responsabilidade com a vidinha dela.
Ela estava enxergando muita coisa, agora que estava de óculos!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Ensaios sobre a cegueira! Mais uma da Ingrid!

Com 4 aninhos, Ingrid resolveu que queria usar óculos.
Achou lindo o de armação rosa com florzinhas que as colegas usavam e queria porque queria um daqueles. A mãe explicava:
- Minha filha óculos é só pra quem precisa usar. Você não precisa. Tem ótima visão. Mamãe já te levou no oftalmologista.
Em vão. Todos os dias ela pedia:
-Mãe, o meu (óculos) pode ser amarelinho, com bolinhas coloridas!
 Até que um dia aparece Ingrid em casa tateando os móveis, os cantos da sala, olhos semi-abertos e dizendo:
- Meu Deus! Minha visão está atrapalhada. Mãe, num tô vendo nada!
A mãe, já sabendo das intenções da filha, desconfiada, diz:
_ Menina, não brinca com isso! Pode parar com marmota!
Mas, como mãe é mãe, leia-se, sujeita a todos os subornos que a demanda de um filho providencia,começa a pensar: "Vai que é verdade.."
E disse pra filha:
-Vou te levar ao médico, mas ai de você se for mentira! Vai tomar  umas boas palmadas!
E então chega o grande dia da prova!
Chegando ao oftalmologista, Ingrid continua com seus sintomas: tateando, queixando cegueira. E o médico, muito sabido, logo dá aquela piscadinha para a mãe e diz:
- Realmente, a Ingrid está completamente cega e terá que usar óculos.
Vai até a outra sala e pega um daqueles com armação de tartaruga, enorrrrmes, com a lente de fundo de garrafa, horríveis, dizendo:
-Minha senhora, todos os dias a Ingrid terá que usar estes óculos. Na escola, no parque, não pode tirar nem para dormir.
De repente Ingrid se manifesta:
- Meu Deus!Mãe! Aconteceu um milagre!!  Estou já enxergando! Estou enxergando!!! Milagre!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

De sementinha, o feijãozinho virou gente!

Sobre o Natal e as crianças, há tanto o que contar!...
Ano passado, vovó preparou um “Amigo Oculto” diferente!
Escreveu sobre cada criança um texto que, deveria fazer indicações a todas e a cada uma, de quem se estava tratando, para que todos descobrissem!
Foi divertidíssimo e parece que agradou!
Mas a melhor surpresa foi ela ter incluído entre os participantes, já que havia um “não-nascido” ainda, um personagem enigmático:
“O” ou “A” “Sementinha” e o mistério que isso envolvia.
Transcrevo o texto que foi escrito à época:

Será que as sementinhas pensam?

Será que, enquanto crescem, sabem quem são e o que querem?

Será que sabem que a vida é delas, mesmo enquanto são tão pequenininhas?
O coraçãozinho bate, bate, bate.

Se já tem coração, afinal, pode participar do amigo oculto, né?

Será um feijãozinho ou uma granolinha?

Ah!!! Aposto que não advinham, mas o misterinho vai ter cabelo. Ainda não tem. Será um cacheadinho, uma lourinha, um moreninho?

Quem é?

Quem será?




Hoje, não resisto e apresento o “feijãozinho” transformado em gente, de olhinhos vivos e interrogativos. Parece que vamos nos haver com mais um atento questionador do mundo, como deve ser uma criança viva... À maneira de sua mais próxima companheira de questões, esta já bem falante e hoje alfabetizada, ele parece mesmo, aos cinqüenta dias de nascido, já formular alguma atrevida pergunta aos adultos, pela carinha que faz.
Talvez... já desconfie que “a vida é dele”!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Ao se dar conta da “mágica”, as meninas...como ficam?

Com Daniela, menininha de 4 anos, aconteceu o contrário do que aconteceu com o menininho da postagem “Na falta de...uma caderneta de poupança”.... que, ao se dar conta de que a mãe não tinha um pipiu, queria presenteá-la com uma outra conta, aquela em que ela fosse possuidora de um poder substituto, coitada!!!


Daniela, um belo dia, ao brincar com o irmãozinho, reparou que, de repente, a “coisinha”dele ficou ereta, triunfante e chamativa! Ela não se conteve!

-Maninho!!! Você é MÁGICO? Sua varinha sobe no ar, de repente?

Tão encantada ficou ela, com a mágica possível no corpo do irmãozinho que foi correndo chamar as amiguinhas para exibir a façanha do irmão.
Quando chegou a “mágica” tinha se desfeito.
 Mas ela não se deu por satisfeita e, ao invés disso, acreditando mesmo ser uma mágica, disse, ansiosa:

- Maninho! Faz de novo! Faz de novo!

O garotinho não entendia nada! Nem a “mágica”, nem o entusiasmo, nem a expectativa das meninas!

Isso ficou, com certeza, pra depois...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

"EU ACHO QUE VI UMA MONTANHA!"



Diguinho era criança muito doce, sorridente e simpática.

Gostava de sonhar e se levantava contando seus sonhos pela manhã.

Pequenininho, já contava seus sonhos.

Ás vezes eram sonhos que davam medo.

-“Sonhei que um lobo mau queria me pegar! E o lobo tinha um fusca amarelo!”.

Às vezes sonhava acordado.

-“Quando crescer quero ser um jogador de futebol”.

E esse sonho, desde logo ele começou a realizar.

Canhotinho, habilidoso, calmo, lidava muito bem com uma bola, e driblava qualquer um que quisesse tomá-la!

Todos o chamavam para brincar! Todos o queriam no time! Diguinho ficava todo feliz!


Uma vez, Diguinho e seus irmãos, viajaram com seus pais.

Cortavam estradas, subiam e desciam montes, vislumbravam planícies e lagos, passavam por montanhas.


Iam todos para a praia. E o carrinho do papai, o tal fusquinha amarelo, roncava subindo morro e assobiava descendo vales.

De repente, Diguinho, distraído, disse:

-Eu acho que vi uma montanha!

Todo mundo, mamãe, papai, os irmãos, ficaram embasbacados!
 Não acreditavam no que ouviam!!
 Depois de tantas horas de viagem, será que Diguinho, só agora tinha visto uma montanha?

Pois acreditem vocês!!! Era a pura verdade!
Mas o mais espantoso ainda estava por vir!
 Mamãe olhou para trás, olhos arregalados, fazendo um ar de interrogação, como se não entendesse o que se passava!

-Você “acha”(!!!) que viu uma montanha?

Diguinho, também surpreso, porque devia ter viajado aquele tempo todo passeando no mundo da lua, respondeu, aflito e constrangido, desconfiado de que tinha dito algo errado:

-Uai! Eu acho, né?

Todo mundo caiu na risada! Ele era mesmo um sonhador!

Um olho olhava pros sonhos e outro olhava para o mundo!

Costuma ser assim a vida! A gente olha e não vê...depois a gente olha...e vê!
As vezes descobre que quando acha, já tinha visto e não reparou!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

PUM ! PUM! PUM! Mariana fez mais um!


Mariana saltitava, linda e graciosa!
As tias babavam como de costume!
Até que a menininha graciosa soltou um pum!
Risadas se acompanharam de um arremedo de censura, que, certamente, não convenceu...
Pois a garota continuou, leve e solta, soltando-se mais e soltando...puns!
E para se garantir de poder se aliviar alegremente, vendo o divertimento difarçado das tias, soltou isso:
- Êta ventinho desobediente!!!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O GORDO E O MAGRO, A DANÇA DA VIDA!

Uma criança, 5 anos, cuja análise caminhava muito bem...
Ele já ria, conversava,
 jogava futebol,
torcia apaixonadamente para o Galo,
 ia aos lugares sem que, necessariamente a mãe tivesse de ir,
 não batia em todo mundo a qualquer desavença, pois já sabia falar,
chegou um dia e me disse:
- Oh, eu não tô querendo vir mais não, pois esse horário está muito ruim!
-Uai! respondi, podemos ver um outro, se você quiser!
- Ah mas eu não tenho outro e este eu até quero vir um pouco, mas está atrapalhando a coisa que eu mais estou gostando na vida!
-É? O que é que vc mais está gostando na vida?
-De assistir ao "Gordo e o Magro"!
Surpresa, pois "Gordo e Magro", personagens da minha infância, que me valeram deliciosas gargalhadas, despregadas de todas as minhas angústias, assistidos nos "Cine Grátis" da Praça Raul Soares, ainda faziam o mesmo efeito, 50 anos depois!!!
Viva o"Gordo e o Magro"!
Viva a singeleza, a ingenuidade e a graça que só a criança, ou quem conserve da infância o gostinho e a molecagem, pode apreciar e curtir!!!

A homenagem está aí, acompanhada da música de Santana! Obrigada, Paulinho!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O vaso e a flor, uma relação importante!!!



Rosa tinha 3 anos e meio e ainda não conseguia limpar o bumbum depois

que fazia seu cocô.

As chamadas eram sempre:

- Mãe, já acabei! Limpa meu bumbum?

 Um belo dia a mãe, como sempre chamada, chegou ao banheiro.

Rosa já tinha descido do vaso, se virado, deixando a bundinha

à mostra, para ser limpada.

Enquanto a mãe fazia o serviço, escutou-a falar pausadamente:

 -CE-LI-TE!

A mãe levou um ultra susto e pensou consigo mesma:

-Que é isso? Esta menina está lendo?

A Rosinha pequenina que desce do vaso e vira a bundinha para ser limpada....está lendo?

A mãe ouviu que ela repetia baixinho, observando a marca impressa na louça do

vaso :

-CE-LI-TE!

-Minha flor, o que é mesmo que você disse?

- CE-LI-TE!

Rosinha mostrou, passando o dedinho em cada sílaba da palavra

gravada no vaso.

-Tá escrito aqui, ó! completou.

Muito surpresa e confusa, já que se tratava de uma garotinha muito

nova pra saber ler, a mãe disse:

-VOCÊ ESTÁ LENDO?

Por causa da  voz alterada e surpresa da mãe,

apressadamente, como se estivesse fazendo alguma coisa muito errada e

tivesse sido pega "no flagra":

-EU NÃO! DE JEITO NENHUM!

Foi preciso algum tempo para convencê-la de que aquilo era uma boa

novidade e um bom tempo para a mãe conseguir sair daquele espanto!! Qual espanto mesmo?

Talvez o de perceber que a baixinha espertinha que pedia que lhe limpassem a bundinha...já sabia ler!!!

sábado, 11 de setembro de 2010

Como os adultos podem se imbecilizar, diante de uma criança...E ela devolve o retrato!



Aniversário do Gabriel!
Quatro e bem vividos aninhos!
 Casa cheia, festa animada e ele, com certeza muito ocupado com os amigos e as brincadeiras, quando a mãe o convoca para receber uma amiga dela, retardatária, prestem atenção, só retardatária, por enquanto...
Eis que a jovem senhora inicia uma suposta conversa com Gabriel em sonoro tatibitate, hoje conhecido por "baby talk"...
-Petetê, petetô, que cosa mar lindinha esse menininho, qui gacinha, bla,bla, ta,ti,bi...lemba da titia, quelido??? Você deve lembrar...sou a Mi...Mi....Mi...
Não teve dúvida! Gabriel emendou, pronto:
-MIOJO!
E saiu correndo a se juntar aos amigos e a sua brincadeira!
Cá pra nós, ela escapou de ele ser mais claro ainda e dizer
-MIERRA, MILARGA, MIENCHENÃO!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O pum, o gambá, a alma e a morte...



A mãe distraída, dele, mas absolutamente investida em sua leitura.

O garotinho, poucos dois anos e tanto, talvez três, brincando ao redor dela

De repente, um sonoro e fedorento pum!

A risada da criança e, inevitavelmente, a atenção (finalmente!) da mãe.

Então, outra surpresa:

-Mãe, será que o gambá se incomoda com o próprio cheiro??

Que pergunta! Grande e profunda filosofia!!!

Em geral não se incomodam, os próprios sujeitos, com os próprios cheiros!

Aos outros, talvez. Neste caso, o do pum, sempre!

A mãe ficou lá cismando....e disse a êle:

-Pelo visto, o gambazinho aí não se incomoda nem um pouco! Pelo contrário, acha graça!

Mas não parou por aí a aula de filosofia!

Em seguida, o garotinho lasca essa:

-Será que a alma da gente é assim?

Sai do corpo como um pum...e sobe para o céu quando a gente morre?

Aí já foi demais!

Tamanha tentativa de elaboração das coisas que saem das pessoas, da alma, da morte...deixou mesmo a mãe com as suas questões pelo resto do dia, do ano, da vida e talvez, até hoje!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Com crianças, não vale a maquiagem !


Ingrid tinha mais ou menos 3 aninhos e, no colo , num ônibus, ia toda serelepe.

 Era dia de passeio com a mãe.

A pequenina, vivíssima, observava tudo à sua volta.

Sentavam-se naquelas cadeiras que ficavam umas à frente das outras, de modo que se podiam reparar as pessoas, face a face.

Os olhinhos da garota não paravam!

Até que, de repente, ficaram grudados numa senhora bem à frente das duas, mãe e filha.

 A baixinha não parava de olhar aquela figura esquisita, tão pintada e com tanta maquiagem que parecia recoberta por uma argamassa.

 Batom e “rouge” bem vermelhos, olhos com sombras azuis, os cílios postiços alongados e bem pretos.

 Maquiagem das pálpebras de “kajal”. Lembram-se do “kajal” da avon?

Lápis macios e bem pretos, para deslizarem facilmente nas pálpebras e contorno dos olhos.

A mãe, já desconfiada de que a filhinha iria fazer algum comentário, “tremeu nas bases”...

E não se enganou.

De repente ela se dirige à senhora:

-Por que a senhora está tão maquiada?

 A senhora, toda simpática responde:

-Para eu ficar bonita, ora essa!

E a criança, com a sinceridade que é comum às crianças, solta essa:

-E por que é que a senhora num tá bonita?

A mãe quis se esconder, mas não foi possível!

Todo o ônibus já tinha ouvido!!!

Sorrisos e entreolhares sorrateiros seguiram viagem com os passageiros naquela manhã de verdade!

Faça um lugar melhor pra você e pra mim!!!! De coração!!!

Aí está, pessoal, o que uma criança pede ao mundo! Seria uma boa candidata à presidência, não é?



quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Na falta de....uma caderneta de poupança!!!



Desde que viu, sem a fraldinha,

bem peladinha,

a menininha

da vizinha,

que o pequeno rapazinho de tres anos passou a ficar inquieto!
Rodeava, rodeava a mãe e ensaiava cada hora uma pergunta:

- Você tem um pipiu?

- Não???

Rodeava, rodeava e...

- Mas, então, como é que você faz xixi?

Mais uns dias, mais umas voltinhas e de novo lá vinha o baixinho:

- Por que é que você não tem “Pereira”?

- Uái! Todos os homens daqui de casa tem “Pereira”. (o sobrenome do pai)

A mãe começou a perceber a questão...e diz:

-Todos os homens tem “Pereira”, mas eu não sou homem...

Até que em ato de desespero ele diz, penalizado,todo carinhoso e sedutor:

-Não se preocupe nem fique triste porque você não tem “Pereira”. Eu vou comprar um pra você no hospital!

E, em última instância:

-Se eu não achar pra comprar,

quando eu crescer eu vou lhe dar uma caderneta de poupança!

 Tá resolvido!


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Gostei, mas quero cuspir!!!




De novo, sempre, mineiros e montanhas...uma fazenda.
Comida boa, aconchego do fogão de lenha, clima frio, tudo bem.
 O menino inapetente, ou melhor, bem exigente, que escolhe demais o que deixa entrar ou não, o que deixa passar ou não, para dentro de si.
 Com certeza, as vezes incômodo, pois muitos se metem a insistir mais ainda, quando ele recusa algum tipo de comida. E isso acaba sendo frequente.
Oferecem, ele recusa.
Oferecem ele recusa.
Até que a tia, já perturbada, diz a ele:
- Pelo amor de deus, menino!Não faça mais isso. Tá ficando chato! A cozinheira tão boa, a comida tão gostosa! Por favor, seja educado! Da próxima vez em que ela te oferecer alguma coisa, aceite!
-Tá bom, tia..!
Ato contínuo, a cozinheira orgulhosa de seus petiscos chega com um pratinho de doce de leite.
-Quer, querido?
- Ahammm...diz o garoto olhando pra tia.
Vapt vupt, doce de leite no prato e a tia de olho, esperando a colherada do garoto. Ele obedientemente põe um cadinho do doce na boca e a fecha com cuidado, sem nem um movimento mais. A tia curiosa o observa, bochecha cheia, e nem um movimento de deglutição.
Vem então a cozinheira e diz:
-E aí? Gostou?
Boca aberta, pra não sentir nenhum gosto...tentando falar sem mover a língua, o garoto diz, ou quase, tão difícil era a tarefa:
-GORRRRTEI....MAR QUÉ CURRRRPI !
Não houve como não constatar! O cara era mesmo voluntarioso!
Não iria meeesmo engulir qualquer coisa, a não ser que desejasse!!!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O SUMIÇO DAS MÃES, FANTASIA UNIVERSAL?

Que criança,em algum momento da vida não sonhou com o "sumiço da mãe"? Fantasia de independência ou desamparo, enfim....o "ser livre da mãe"...alegria, alívio e horror??Algumas crianças ou quase todas já, em algum momento se perderam delas, sofreram e fizeram-nas sofrer..Talvez seja mais adequado dizer que "se fizeram perder delas".Algumas fizeram questão de observar se as mães foram "capazes de perdê-las".Momento crucial de experimentação para as partes, criança e mãe.


Este vídeo, da turma da Mônica, de Mauricio de Souza, tão assistido e apreciado pelas crianças, comprova isso.





domingo, 15 de agosto de 2010

Hoje eu entendi o que é neurose!...


Onze da noite...

O menino já quase dormia.

Só não dormia mais profundamente porque a mãe ainda não havia chegado de sua reunião.

O telefone dispara a tocar.

O menino acorda. Pensa:

-Isso são horas de chamarem as pessoas? Que será?

Corre ele até a escandalosa campainha, mais para fazê-la parar, que para ouvir o que havia do lado de lá.

- A doutora está?

-Não, mamãe vai chegar tarde hoje, está em reunião.

-Seja a hora que for, peça a ela para me ligar. É urgente! Preciso muito dela, tenho que falar com ela ainda hoje!

O menino ouve o choro e a voz agitada da mulher.

-Mas ela vai chegar tarde, diz ele sonolento e já quase dormindo.

- Minha pia da cozinha entupiu! Preciso falar com ela!

-Está bem, eu dou o recado, disse ele espantadíssimo.

Passaram-se séculos até que a porta se abriu e a mãe chegou. O menino, despencando de sono, jogou-se nos braços dela e disse:

-Graças a Deus você chegou!

-O que houve, meu filho?

-Acho que hoje eu entendi o que é neurose, mãe. Uma mulher ligou e disse que precisa falar urgentemente com você porque a pia dela entupiu! Não seria mais prático, ao invés de ligar para a analista, ela chamar o desentupidor?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O escorpião…Quem conhece ?




Dedé, nosso menino curioso, chegou no seu primeiro encontro comigo e pediu lápis e papel.

-“Quero desenhar um escorpião”

-“Estou muito interessado no escorpião. Acho um bicho muito esquisito! Você acredita? O escorpião é assim. Se tiver alguma coisa deixando ele com raiva, ele vai enfezando, vai enfezando vai enfezando... e se não houver ninguém para ele atacar... você acredita que ele ataca ele mesmo?”

- É estranho isso, hein?

- Ah... eu acho estranho.

-Não foi você que andou chutando, chutando,chutando pra todo lado até acertar a professora?

-Nossa!!! Mas ela era muito chata. Eu não conseguia ficar quieto e ela gritava comigo o tempo inteiro!

-E o que houve?

- Uai!

Acabei levando a pior! Chamaram minha mãe e disseram que eu era 'violento'! Pensa bem! "Violento"!

-Você prestou bem atenção nesta palavra, hein? V i o l e n t o!

-E aí pediram a minha mãe pra me tirar da escola. Fiquei muito triste. Não entendi nada.

-E o escorpião?

-Ah eu vim aqui para estudar bem esse bicho! Saber o que acontece com ele para ele fazer uma coisa assim. Atacar ele mesmo!

- Quem sabe, Dedé, ‘estudar o escorpião’ ajuda a saber alguma coisa sobre o ‘violento’ de que você falou, não é?
E sobre isso continuamos nossas pesquisas por bastante tempo...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Você acredita em Destino?





-Você acredita em Destino?

Esta pergunta foi dirigida, de supetão, por um menino de 7 anos, o Dedé, a uma ouvinte atenta.

-O que você entende por destino? Devolve ela.

- Eu acho que destino é o seguinte:

Uma pessoa abre de manhã a janela de seu quarto e vê um dia chuvoso, a maior tempestade e diz:

-Puxa vida! Que dia mais horroroso, mais nojento, que chuvarada, que saco!

Aí, no outro dia, a mesma pessoa abre a janela e o dia está meio cinzento, com algumas nuvens e ela fala:

- Que diabo, gente, que dia mais esquisito, a gente não sabe no que vai dar!
 Chatice de dia, sem luz e sem alma!
 Que dia triste, meu Deus!

Então, no outro dia, a mesma pessoa abre novamente a janela e vê um lindo dia ensolarado, claro e quente, radiante e diz:

-Ai, ai, ai! Não é possível!
Que dia mais calorento e claro!
Que sol mais “pelando”, é capaz até de queimar, deixar a gente esturricada, que nem churrasco!
Que saco! Assim, não dá!

Então o Dedé revelou com seriedade:

- Você não acha que o destino de uma pessoa assim é ser infeliz?

Sua ouvinte perguntou, então:

-Mas por que todas estas perguntas? O que está preocupando você?

-É que estou achando que minha mãe decidiu ser infeliz.

 Faça chuva ou faça sol, ela está sempre reclamando e não há nada que a faça contente!

Antes eu achava que era por minha causa.

Você se lembra como eu era violento, não tinha amigos e brigava com a professora?

Mas agora estou cheio de colegas, tranqüilo, feliz. E o que eu descobri?

Descobri alguma coisa nova e intrigante.

Minha mãe continua infeliz.

Também tive de me mancar e perceber que não sou a única coisa  importante na vida dela.

 Ela tem as razões dela para se sentir infeliz.

Eu tenho as minhas para querer viver uma vidinha boa.

Tomara que ela queira mudar a vida dela.

 Eu já mudei a minha!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O mar....e a mãe

Ah!...o mar!

Ah!... la mére...diriam os franceses..

Ah!...o mar, a mãe!

Mas...uma primeira vez, é

o choque,

o encantamento

a fascinação inteira,

o verde,

o movimento

e...as ondas,

principalmente as ondas,

água que não acaba mais,

espuma branca,

indo e vindo,

correndo atrás,

jogando longe,

barulhentas,

enoooooormes.

E a criança de 2 anos e tal,

primeira vez, frente ao mar, ao lado da mãe.

Demais!

O que ela poderia dizer, olhos enormes diante de tanta beleza e horror?

O que dizer diante do mar?

Salve-se quem puder!

E ela, a criancinha, olhando os pezinhos dentro da água, se salvou como pôde:

- Mãããe! Olha essa água cheia de sabão em pó!!!

-???????!!!!!!

terça-feira, 13 de julho de 2010

Mulheres de férias, rainhas da noite


Noite fria... crianças em férias...
 hora do jantar... hotel fazenda...
violão ao fundo... cantor desafinado... vovó na coordenação.
Este o cenário.
Adorável cenário.

Cardápio de preferência das crianças, sanduíches.

Escolhas feitas, mãos à obra.

Vovó à pequenina:

- Limpe a boquinha!

-Cuidado com a toalha!

- Tá saindo fora do prato!

A pequenina, obediente, só olhando!

Até um dado momento em que a baixinha solta essa:

- Uai, vovó, você decidiu ser rainha hoje? Tá mandando em tudo!...

Risadas da vovó e das outras crianças.

Não demorou muito, a baixinha chama o garçom e ordena do alto de seus 4 anos:

-Por favor, me vê um suco? De lata? Tem maracujá? Não? Então de uva? Vai demorar?

Vovó não resistiu:

-Uai, Fefê! Você também decidiu ser rainha hoje?

Não é que a baixinha entendeu tudo e despencou numa gostosa gargalhada?

E com ela, todas nós...mulheres de férias, rainhas da noite.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Quando a morte já é uma questão, e, portanto, a vida é importante!






Férias. Ou domingo. Conversa entre menininha de 4 anos e a avó, enquanto passeavam por caminhos floridos em um lindo sítio, de mãos dadas.

- Aqui está tão bom, né vovó ?

- É mesmo!

-A gente, que ainda vai viver muuuuuuito (certamente incluindo a avó em sua preocupação), tem mais é que aproveitar muuuuito, né?

- Claro, disse a avó, esperando o que viria...

-É....porque....de repente... a morte chega!

Vovó até hoje e enquanto viver, não desconsidera esta observação.

Crianças são sábias pois estão o mais próximo da verdade que se possa estar!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Jaca e Jeca na quarta dimensão



Jaca e Jeca limpavam o Bag-Beg, relógio da Igreja de sua cidadezinha, cidade graciosa e pequena, mas sem muitas novidades, onde todos os dias eram iguais.Menos aquele.
Naquele dia, Padre Pafúncio fez a eles uma proposta irrecusável. Os meninos ouviram com desconfiança, pois nunca havia propostas novas naquela cidade! Muito menos, aquela, com a promessa de um grande saco de balas em pagamento!

A proposta era limpar o relógio para a festa de São João, quando às vinte e uma horas, pontualmente, começariam as barraquinhas, leilões, pescarias, brincadeiras de pau-de-sebo, e a banda de música da cidade tocaria as lindas e animadas músicas da quadrilha.
Os jovens e as crianças esperavam com ansiedade, pois era a única festa oficial que se comemorava na praça da igreja.


Assim, Jaca e Jeca, com muito cuidado, subiram até à torre, empoleiraram-se nos ponteiros e, munidos de balde, água e sabão, começaram a faxina do relógio.

Eis então, que, sentados, começaram a perceber o movimento estranho que os ponteiros começaram a fazer no sentido contrário, anti-horário.

Jaca observou:

-Ihhhhh! Ô Jeca, este troço está se movendo e cada vez mais rápido!


-Ihhhhh, Jaca! Não estou gostando deste negócio, não! Os ponteiros estão se mexendo rápido demais! Se nós estivéssemos numa roda gigante, num parque, tudo bem! Mas estamos fazendo um serviço de limpeza do relógio para o Padre Pafúncio!

-Uaaaaau!!!Está é dando frio na barriga e não estou enxergando mais nada e vooooocêeeeee??????


-Neeeemmmm me faaaaale! Nem sei mais onde estooooou!


Até que, de repente, os ponteiros pararam.

Os dois, completamente tontos tentaram se localizar. Viam tudo de cabeça para baixo. Mas havia algo estranho demais. Estariam loucos, depois daquele rodopio dos ponteiros? Teriam entrado em outra dimensão desconhecida?

As árvores, com as copas no chão e as raízes para o ar. Os carros, de roda pra cima, deslizavam seus tetos nas ruas. As casas, estranhas, tinham cabelos, narizes e, às vezes até bigodes! As pessoas andavam de cabeça para baixo, pernas pro ar, plantando bananeiras!

Avistaram um campo de futebol e a torcida se pendurava em varais, gritando animada, enquanto a bola corria atrás dos jogadores que tentavam se livrar dela! Falar a verdade, há até jogos em que a gente tem esta impressão, quando os jogadores jogam muito mal! Mas não era o caso!

E assim eles iam tendo uma surpresa atrás da outra. Vocês já ouviram dizer que o “o mundo ficou de cabeça pra baixo”, quando a gente quer dizer que a vida mudou de repente e de uma vez, seja pra bem ou pra mal. Mas Jaca e Jeca estavam mesmo vivendo esta realidade!!!

Desconfiaram que, sem querer, tinham, por obra de alguma mágica estranha, quem sabe até do Padre Pafúncio, aquele pão-duro, só para não lhes pagar com o saco de balas, tinham chegado à Quarta Dimensão, outra realidade que não era a nossa.


Que fazer? De cara, até que era divertido! Mas com o passar do tempo foram ficando tristes e enjoados de tanto ficar de cabeça para baixo. Pensavam na festa de S.João e na quadrilha, nas barraquinhas e, lógico, nas balas. Sem contar, que àquelas alturas, não sabiam quanto tempo se passara, as famílias deles já estariam preocupadas!


Jaca, então teve uma idéia:

-Se, rodando o relógio para frente, viemos parar aqui, se o rodarmos para trás, voltaremos para nossa década e para nossa dimensão!


Jeca rodou, então, o relógio para trás.


Mas havia coisas da Quarta Dimensão que agradaram muito a eles, principalmente o fato daquela mudança radical!

Jeca disse:

-Oh, nãaao! Vamos começar aquela chatice toda de novo! Tudo igual, todo dia!


Mas, olhando-se de banda, com cumplicidade os dois combinaram em segredo:


-Quando nós estivermos entediados, vamos nos oferecer ao Padre Pafúncio para limpar o relógio?


E desandaram a rir, aprontando-se depressa para as barraquinhas de São João.






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sábado, 26 de junho de 2010

Não é fácil simplesmente torcer pelo Brasil! Suzaninha que o diga!


 Suzana, que agora tem 3 anos, é viva, gozadora, irônica
No dia do amistoso Brasil x Tanzânia, a tia dela apareceu em casa com um uniforme completo, verde-amarelo do Brasil, com meião e tudo.
Disseram a ela que essas são as cores do Brasil, etc.
Como jovem e nova torcedora, cheia de alegria, veio ela na hora do jogo toda uniformizada, trazendo uma enorme bandeira do Brasil.
Quando os times entraram, ela começou a festejar os atletas de verde amarelo.
A Tanzânia vestia verde-amarelo!  
Explicaram à confusa Suzaninha que os verde amarelos eram de outro time.
 Como assim? Ela não entendia nada!
 Aí entra o Brasil, vestido de azul! Ai, ai, ai! Mais uma vez a perplexidade:
- "Os azuis são Cuzêlo, vovô? "
Mais explicações e ela sem entender nadica de nada !
Ofendida, quando as seleções se perfilaram para o hino nacional, ela notou.
-"Ih! São todos pêtos, né?"
Mais explicações de "esse é outro time, não é o Brasil" 
E mais confusão, pobre Suzaninha!
 Vai daí que ontem, no dia do jogo Brasil x Costa do Marfim, lá vai Suzana, linda e orgulhosa, uniformizada prá escolinha.
O porteiro de lá, um negro, também com camisa verde amarela, festejou:
-"Então Suzaninha, já tá uniformizada prá torcer pelo Brasil?"
 Ela olhou bem prá ele, muito friamente e disse:
- "É. Mas nós não somos do mesmo time!"
 Desde então, ela achou uma explicação aceitável prá ela:
 "Azul é Cuzêlo, verde-amarelo, se for "banco" é "Basil", se for "pêto" é do "outo time".
E estamos conversados.
 Quem é que consegue convencê-la de que não é bem assim?

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Mentira ou exagero?

Um dia Bê aparece, cabeça baixa e tristonho, lágrimas nos olhos.
Não era sua atitude habitual, agitada, desatenta, pouco ligada ao que se falava com ele.
Senta-se e me confessa envergonhado:

- Meus colegas estão me chamando de mentiroso! Estou muito triste.

- Mas o que você imagina que os está levando a chamá-lo assim? Mentiroso?

- O que eu digo não é mentira, mas dependendo do caso, eu enfeito um pouquinho, senão o caso fica muito sem graça e ninguém vai me dar atenção!

-???

-Por exemplo, domingo meu pai matou uma cobra lá no sítio.

- É?? Respondi interessada.

-É!

-E como foi?

- Eu disse que era uma cobra de dois metros de comprimento e dois palmos de largura, parecia uma jibóia! Meu pai, quando ela abriu a boca para nos atacar, enfiou um pau atravessado na boca da serpente, para ela não nos engolir. Em seguida, tirou seu revolver da cintura e atirou seis vezes na boca do monstro! Não teve erro! Morreu na hora!

- E foi mesmo assim?

-Ah... mais ou menos! Era uma cobrinha de um palmo de comprimento e meu pai a esmagou com sua bota, de uma vezada só!
Agora me diga. Você acha que os meus amigos achariam graça nesta história?
- Você acha que o que falou é mentira ou exagero?

- Ah, sei lá!

- Bê, o problema é que você pensa que o que diz é pouco. Que o que é, é pouco. Daí exagera! Lembra quando tomou aquela injeção horrorosa, quando teve dor de garganta? A injeção danada doía mais que tudo? A danada doía tanto que ninguém conseguiria ficar calado ou não chorar?
- Lembro! Não derramei nem uma lágrima! Não dei nem um pio!
-Viu? Que é que você acha? A história da injeção é mentira ou exagero?
Bê ficou pensativo sobre o que seriam exageros para mais e exageros para menos, mas, exageros.
Muitos meses depois, por ocasião do Natal, levou-me um jogo de lençóis floridos de presente.
Agradeci-lhe, entusiasmada. Então ele disse:
- Amiga, não precisa exagerar! Foi um custo arrancar este jogo de lençóis de uma banca de liquidação da loja de meu pai, aquele “munheca” ! Foi o melhor que pude conseguir, mas não é nada de mais.
Não exagera. não!