Criantia, criança, em latim, é o que está em criação. Criantia e Contos é um lugar onde se pretende escrever o que dizem as crianças sobre a vida e a morte, questões que a todos nós nos provocam e fazem trabalhar! Como blogger, um mediador, faço passar a quem queira ouvir, o que elas nos ensinam! Ouçam, leiam e se divirtam!
sexta-feira, 4 de abril de 2014
O passado...o que será?
Um menininho brinca distraído da vida e resolve convocar o pai ao seu brinquedo. Chama-o pelo nome, quem sabe para torná-lo, na brincadeira de seus 3 aninhos, um amiguinho participante:
- Léo!
E o pai:
-Léo é passado. Me chame 'papai'. Sou o papai.
-?????
E o menininho se recoloca, a partir do papai:
-Papai? Brinca comigo?
Passa-se o tempo. Muitos dias depois, o menininho se chega ao pai e pergunta:
-Papai, e o meu passado? Qual é? Gostaria tanto de conhecer o meu passado...!!!
Não se interpreta um pai. A um pai, ouve-se.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Ser príncipe é muito difícil!!!
Brincavam menininho e menininha num parque, logo após um breve conhecimento, o que não atrapalhava em nada que eles já se propusessem uma espécie de relação amorosa.
Convencionaram chamar-se de Rapunzel, ela, e José, ele. Certo é que já haviam assistido ao filme onde Rapunzel, encerrada na torre, por excesso de zelo da mãe-bruxa, era visitada, sem que a mãe soubesse, pelo belo José. E a brincadeira acontecia alegremente com a competência de cada um, saltitantes, José e Rapunzel!
-Rapunzel! chamava ele e a menininha atendia
- Que foi, José?
E assim iam até que a menininha, não satisfeita, propôs:
-Você poderia ser Príncipe!
Foi então que o menininho, preocupado, disse:
-Ah...não! Ser "príncipe" é muito difícil!
E continuaram a brincar muito bem, José e Rapunzel...
Com certeza aí se delineiam as dificuldades entre homens e mulheres, especialmente pelo que elas esperam e propõem! E pelo papel idealizado que a eles cabe representar!
sábado, 9 de novembro de 2013
Clarinha, a natureba, e o brilho sedutor dos ovos de páscoa!
A mãe, meio natureba, está sempre conversando com os filhos sobre a conservação da natureza, sobre a beleza do sol, da lua, das flores,
etc. Este é o discurso vigente naquela família e a preocupação com uma educação ambiental, em tempos de tentativa de sustentabilidade e respeito!
Clarinha cresceu em ambientes perto da floresta e sempre soube apreciar a
beleza.
Um dia, entretanto, no supermercado, ao se aproximar a Páscoa, Clara, a mãe e a
irmã adolescente foram ao supermercado.
Imaginem, nestes tempos também de consumismo e furor publicitário, como se aproveitam os supermercados para garantir o aumento de suas vendas! Como ficam decorados os
corredores com lindos ovos de páscoa, coloridos e convidativos! Os ovos saltam aos olhos das crianças e aos olhos das mães pressionadas por tais demandas! As das lojas e as das crianças! A mãe, já
prevendo uma polêmica caso o carrinho de supermercado passasse nessa sessão perigosa dos ovos de páscoa, disse para a filha mais velha:
- Vamos fugir dessa ala senão você imagina o que vai acontecer! Clarinha vai "impregnar"! Não queremos uma consumista, capitalista feroz, ao invés de uma cuidadosa e responsável amante da natureza e da alimentação natural, etc,etc.
Azar da mãe, sorte da Clarinha!
Na primeira curva foram parar
logo na ala temida. Os Ovos brilhavam no seu esplendor laminado e colorido!
E Clara, 2 aninhos, abriu um sorriso, abriu os braços e
disse:
- Mãe, que maravilha! Que coisa linda esse ovos....é a natureza, né, mãe?
Boa comparação! Ninguém está livre da tentação!
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Denúncia bem feita...e com carinho!
Esta historinha me foi enviada por uma tia-avó de muito
boa escuta, ligada que é, nos ditos das crianças e no reparo que elas podem
fazer as incongruências cometidas pelos adultos cujo discurso as vezes se opõe
aos seus movimentos...
“ Beto estava ficando muito agressivo, enciumado com toda aquela paparicação
com o irmãozinho recém nascido.
Vai daí, que do alto da minha sabedoria
psicológica, aconselhei aos pais que valorizassem o fato de ele já estar crescido,
de poder fazer tantas coisas com o papai: jogar futebol, nadar, passear,
conversar; coisas que o nenê ainda não sabe fazer, etc. e tal.
Só que,
suspeito que eles carregaram nas tintas.
Logo depois do Natal, fomos para um
Clube, na Barra e enquanto toda a família, dentro da piscina, encontrava um
alívio para o calor sufocante, o Beto saiu caladinho e resolveu explorar o
Clube sozinho.
Minha irmã, a avó, percebeu e resolveu segui-lo para que ele não
se perdesse ou aprontasse alguma. Vários minutos de caminhada, entra e sai,
sobe e desce, minha irmã firme na sua cola.
Então, ele chamou-a no cantinho e
falou:
-"Vovó, não fica me seguindo
desse jeito que vão pensar que sou uma
criança pequena!"
segunda-feira, 8 de abril de 2013
QUAL O PROBLEMA??? ...quando um irmãozinho está no pedaço
A mãe embalava o Joãozinho, que quase dormia, feliz.
A família, em torno, admirava o novo bebê...
Ao redor, também, o irmãozinho mais velho, ranheta, reivindicava as atenções da mãe, agarrando-se às pernas dela, pedindo, choroso, sabe-se lá o quê...
A mãe, de repente, perde a paciência e diz:
-Rafa! Quer parar com este drama???
Arregalando os olhos, o garoto pára. Olha para a mãe, atento, e pergunta:
- O que é "drama"?
-????
A mãe, resolve corrigir o discurso, ao pensar que tinha se expressado de maneira pouco clara, para uma criança de 2 anos e meio:
- Rafa! QUAL É O SEU PROBLEMA?
-O JOÃO!!..., responde ele prontamente!
domingo, 24 de março de 2013
A proximidade e a diferença
A criança, então, disse:
-Quando eu era bem pequeninho e chorava muito, papai Léo, eu não gostava dessa música, não...
- Ah é, Fafá?
E agora,, você gosta?
- Ainda não...
Ainda não, talvez um dia...
A música que o papai gosta, talvez não seja a dele...
Talvez um dia, talvez nunca...
domingo, 10 de março de 2013
A criança, a linguagem, a vida e a morte
Mamãe, saudosa da própria mãe, fala o nome dela para o filhinho...'Vovó Edith'
- Quem é Vovó Edith?
-A mãe da mamãe...que já morreu...
-Morreu de fome?? pergunta o filhinho
-??? ...
-Morreu de sono???
-???...
Hora em que, já, sujeito e sujeitado à linguagem, a criança fala de sua 'experiência'. A morte de...alguma coisa, coisas de sua experiência e da escuta do seu dia a dia. Morrer de fome, de sono, qualquer hora de ...raiva...de tédio...de amor...de ciúmes...
Mas, o que a criança retorna nesse momento é que há uma falta que se transmite a ela e que a insere na linguagem e na vida, portanto na perspectiva vigente, pulsante e real da morte!
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