Criantia, criança, em latim, é o que está em criação. Criantia e Contos é um lugar onde se pretende escrever o que dizem as crianças sobre a vida e a morte, questões que a todos nós nos provocam e fazem trabalhar! Como blogger, um mediador, faço passar a quem queira ouvir, o que elas nos ensinam! Ouçam, leiam e se divirtam!
quinta-feira, 31 de março de 2011
Finge!
O menininho serelepe brincava de mágico, brandindo sua varinha que iria transformar o mundo...
Cores, formas, pessoas, afinal, a vida!
Chega saltitando junto à avó, perdida nos seus pensamentos de final de dia de trabalho, talvez, no amanhã e nas preocupações prosaicas, tão prosaicas como contas a pagar.
Aí é que entra, como um invasor benéfico, o netinho "mágico":
-Vovó, diga o que você mais deseja e eu farei a mágica!
A vovó, imediata:
- Uái! Um carro novo!
O garotinho, saltou, girou várias vezes a varinha mágica e finalmente, em tom solene, disse:
-Pronto! Está feito!
A vovó, já consumida pela vida e seus percalços desafia:
-Então vamos lá na garagem para ver.
O netinho, sem se perturbar a acompanha. Lá chegando a avó constata:
-Mas não estou vendo nenhum carro novo...
Diz então sabiamente o menino, que sabia muito bem do que estava oferecendo a avó, na sua fantasia:
-Finge!
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
"MINHA VIDA" ...alguns acréscimos, do original, a bem da verdade!
Recebi ontem o original do livro de Fefê: A bem da verdade, reescrevo o que não foi registrado de minha memória na postagem anterior. Esta pode ser consultada, para os comentários que fiz, que permanecem inalterados. http://criantiaecontos.blogspot.com/2011/02/o-livro-da-vida-por-fefe.html
" Quando bebê tinha minha família boa para ficar.
Com minha mãe aprendi a ser cuidadosa com as coisas e com meu pai a ser esportiva e legal.
Com minha irmã, a ser criativa.
Com minha vó a ser arrumada e com meu avô a explicar.
Com meus tios a jogar jogo e ser brincalhona. Com as tias a sair livre pela natureza.
Com as primas a escrever e sozinha, a andar.
Com os amigos aprendi a ser entendida, ter jeito e ser amorosa.
Com as professoras, a ser esperta e com Deus, fofa!
Agora estou com 6 anos, escrevendo.
Me chamam de Fê como apelido. Fernanda é o meu nome. Eu escrevo, desenho e me arrumo. Sou uma menina que gosta de se arrumar!!!
Estudo, tenho professores queridos. Na escola, tenho amor e alegria com os colegas legais.
Estou feliz com a minha vida.
A vida não é para apreciar, é para seguir em frente!"
E à última página, como um anexo, ecrito em caneta vermelha, como uma observação final:
" A vida é uma caixa perigosa"
Fê. Esta é a minha vida.
" Quando bebê tinha minha família boa para ficar.
Com minha mãe aprendi a ser cuidadosa com as coisas e com meu pai a ser esportiva e legal.
Com minha irmã, a ser criativa.
Com minha vó a ser arrumada e com meu avô a explicar.
Com meus tios a jogar jogo e ser brincalhona. Com as tias a sair livre pela natureza.
Com as primas a escrever e sozinha, a andar.
Com os amigos aprendi a ser entendida, ter jeito e ser amorosa.
Com as professoras, a ser esperta e com Deus, fofa!
Agora estou com 6 anos, escrevendo.
Me chamam de Fê como apelido. Fernanda é o meu nome. Eu escrevo, desenho e me arrumo. Sou uma menina que gosta de se arrumar!!!
Estudo, tenho professores queridos. Na escola, tenho amor e alegria com os colegas legais.
Estou feliz com a minha vida.
A vida não é para apreciar, é para seguir em frente!"
E à última página, como um anexo, ecrito em caneta vermelha, como uma observação final:
" A vida é uma caixa perigosa"
Fê. Esta é a minha vida.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
"O Livro da Vida", por Fefê
Tão logo, aos 6 anos, se viu munida de algumas letras, lápis e papel, no afã de comunicar seus pensamentos e questões, Fefê se pôs a escrever o que chamou de "Livro da Vida".
Recolheu-se ao escritório da casa da vovó, pois junto às primas mais velhas e à irmã também maior, não encontrava acolhimento para o que queria fazer...
Enquanto os adultos conversavam, ela produzia o seu texto.
Finalmente o apresentou, cada página ilustrada, uma a uma, em capítulos:
"Minha vida é assim:
Com meu pai aprendo a ter "esportiva" e a brincar.
Com minha mãe aprendo a ser "feminina".
Com minha avó aprendo a ser "arrumada".
Com meu avô aprendo a explicar.
E a vida não é para ser apreciada. A vida é para seguir em frente!"
A avó quis saber mais sobre o que seria ser "arrumada" e Fefê respondeu:
- Estar bem arrumada, ser elegante! Arrumar as coisas que eu deixo jogadas, colocá-las no lugar...
E com seu avô você aprendeu a explicar? como é isso? quis saber a avó...
-Uái, é porque ele não ouve direito, a gente fala uma coisa e ele não entende aí eu tenho que explicar de novo! Ai eu falo, aí ele não entende, aí eu tenho que explicar...aí aprendi a explicar!
Finalmente, a avó reservou sua última questão:
_ E que estória é essa de que "a vida não é para ser apreciada"?
- Uái, vó, a gente não pode só ficar apreciando, apreciando, olhando a vida passar...a vida é para seguir em frente!
Diante de tal firmeza de direção para o seu "Livro da Vida"...e da escritura de Fefê sobre o que está aprendendo...que dizer a não ser passar adiante o que pode nos valer como questão? Apreciar...mas Seguir em frente!
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
SOBRE GORDOS E FOFOCAS...VÁ LÁ SE ENTENDER OS ADULTOS!
Nina, aos 6 anos, se dirige a avó com a enfática afirmação:
-Detesto gordos!
A avó, surpresa, resolve fazer uma correção:
-Que é isso, Nina? Existem tantos gordos interessantes, bacanas, bla,bla,bla....
-É mesmo, vovó, não tinha pensado nisso.
A avó, continuando seu papel educativo:
-Além do mais, pelo que eu posso notar, você é que não gosta de "ser gorda" e pra isso, come saudavelmente, faz natação, bla,bla,bla...
-É, entendi...mas me explica um pouco mais...queria entender um pouco sobre esta estória de "fofoca".
-???? Fofoca? Como assim?
-É que minha mãe me xingou de "fofoqueira"!
-Uái! Por quê?
-Por que eu disse pra minha tia Chiquinha que minha mãe falou que ela estava gorda!
E aí minha mãe brigou muito comigo e me chamou de "fofoqueira"!
-Credo, Nina! Por que você falou isso?
-Não entendi porque minha mãe me xingou...Se ela, minha mãe, falou que a tia Chiquinha estava gorda...porque EU não podia falar? Não entendo mesmo esse negócio de fofoca!
A avó, atrapalhada, tentando achar um ponto de conciliação para lógica tão evidente e indiscutível, disse a ela:
-Nina, eu também acho complicado esse negócio de fofoca..
Mas, para todos os efeitos, vovó vai te dar uma dica:
-???
-Jamais, em tempo algum, sob nenhuma circunstância, NUNCA, entendeu? diga a uma mulher que ela está gorda, tá bem?
- Ahmmmm.....tá bem, agora entendi....!
-Detesto gordos!
A avó, surpresa, resolve fazer uma correção:
-Que é isso, Nina? Existem tantos gordos interessantes, bacanas, bla,bla,bla....
-É mesmo, vovó, não tinha pensado nisso.
A avó, continuando seu papel educativo:
-Além do mais, pelo que eu posso notar, você é que não gosta de "ser gorda" e pra isso, come saudavelmente, faz natação, bla,bla,bla...
-É, entendi...mas me explica um pouco mais...queria entender um pouco sobre esta estória de "fofoca".
-???? Fofoca? Como assim?
-É que minha mãe me xingou de "fofoqueira"!
-Uái! Por quê?
-Por que eu disse pra minha tia Chiquinha que minha mãe falou que ela estava gorda!
E aí minha mãe brigou muito comigo e me chamou de "fofoqueira"!
-Credo, Nina! Por que você falou isso?
-Não entendi porque minha mãe me xingou...Se ela, minha mãe, falou que a tia Chiquinha estava gorda...porque EU não podia falar? Não entendo mesmo esse negócio de fofoca!
A avó, atrapalhada, tentando achar um ponto de conciliação para lógica tão evidente e indiscutível, disse a ela:
-Nina, eu também acho complicado esse negócio de fofoca..
Mas, para todos os efeitos, vovó vai te dar uma dica:
-???
-Jamais, em tempo algum, sob nenhuma circunstância, NUNCA, entendeu? diga a uma mulher que ela está gorda, tá bem?
- Ahmmmm.....tá bem, agora entendi....!
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
O pequenino analista e a mãe ou ...não me chame de "meu amor"!
A mãe, recém separada, não percebe que se apega demasiadamente ao filhinho de 3 anos.
Abraça, aperta, carrega pra lá e pra cá, até que um dia....
- Mamãe, me faz um favor?
-??? Claro, meu amor!
- Pode me chamar de "meu filho", "meu filhinho", de Leo, de "Lequinho".
-Não me chame de "meu amor', de "meu querido", de "meu benzinho", porque estas coisas a gente fala é pra namorado, tá?
-!!!!!!
A mãe se recolheu às suas questões, às quais, e só a elas, devia atentar, com a ajuda do pequenino analista !
Abraça, aperta, carrega pra lá e pra cá, até que um dia....
- Mamãe, me faz um favor?
-??? Claro, meu amor!
- Pode me chamar de "meu filho", "meu filhinho", de Leo, de "Lequinho".
-Não me chame de "meu amor', de "meu querido", de "meu benzinho", porque estas coisas a gente fala é pra namorado, tá?
-!!!!!!
A mãe se recolheu às suas questões, às quais, e só a elas, devia atentar, com a ajuda do pequenino analista !
sábado, 8 de janeiro de 2011
Falcon, a boneca dos meninos! Saída criativa para se haver com a interdição...
Feliz da vida com seu brinquedinho mais querido, solicitado com vigor ao Papai Noel, lá pelos anos 80, Leo (o garotinho devia ter seus 5 a 6 anos), vestia e desvestia, mudava de posição, fazia o bonequinho saltar, botava-o para dormir, numa intensa atividade que durava o dia inteiro.
As vezes montava uma longa guerra em que o Falcon,vocês se lembram? assim se chamava o boneco, era o herói e personagem do bem.
As vezes ele era simplesmente o amigo.
Às vezes o pai, às vezes o filho, às vezes o vilão por alguns instantes.
Às vezes o bebê que não queira deixar que o trocassem ou banhassem.
Enfim, o Falcon, servia a todas as fantasias do garoto, e, por isso ele não o largava e até dormia com ele.
Um belo dia, distraidamente, faz a seguinte observação à mãe:
- Mãe, esse cara que inventou esse boneco Falcon é inteligente "pra daná", você não acha?
-Ué, meu filho, por quê?
-Ora mãe...os meninos ficam doidos pra brincar com bonecas e os pais e as mães não deixam!
O Falcon é bacana porque a gente pode brincar à vontade de boneca...a gente troca a roupa, faz dormir...tudo, e ninguém fala nada! É uma boneca de meninos! kkkk
A mãe não teve o que dizer mesmo...Ficou surpresa com o recurso dele!
Cada um se autoriza de si mesmo nas suas escolhas.E elas cabem a cada um, a seu modo...
sábado, 1 de janeiro de 2011
E agora, vovô? Você vai morrer?
Natal, Ano Novo, temas que levam sempre à questão sempre universal da finitude, do nascimento e seus mistérios! Assim...as crianças trazem, de novo e sempre novas as perguntas insistentes de todo mundo e não só delas, sobre o nascimento, a vida e a morte!
Foi assim que a menininha, filha caçula de uma mãe também caçula de uma família muito numerosa ouvia com frequência observações sobre a velhice do avô.
"Ah...êle é muito forte, mas a cabecinha, coitado! já não dá muita notícia de nada!".
"Que é isso, gente! Ele bem que dá notícia do que quer! Outro dia conheceu bem a netinha, mesmo que tenha pensado que era a filha caçula!"
"Vocês vão ver! Vai passar dos 100, tranquilo!"
E, não raras vezes a netinha de 5 anos ouviu o próprio avô anunciar:
- "Só vou morrer depois que fizer 90 anos!"
Até que um belo dia, o dia festivo e esperado dos 90 anos chegou. Preparativos, bolo, doces, comidas boas, reunião de toda a família, etc, alegria geral.
Mas a netinha...intrigada e inquieta trançava pra lá e pra cá. Ninguém se dava conta do porquê de tanta agitação e desassossego. Só ela. Arredia, calada, perguntava a toda hora somente pela "hora dos parabéns".
-Calma, menina! Depois do almoço, na hora dos doces! Vovô vai soprar as 90 velinhas dele. Talvez ele deixe você soprar algumas!
A hora chegada, cantoria, palmas, sopro e velas...algumas lágrimas e então para surpresa de todos, o impacto da vozinha dela, com a carinha mais bonitinha, aliviada, de quem aguardara aquela hora como uma outra qualquer de expectativa de um acontecimento da vida...:
- E agora vovô? Você vai morrer? (ao que parece aludindo a "como havia dito, prometido, anunciado?")
Ao que parece a questão dela permanece, quanto a esta hora...
"quando é que a gente morre?" "a gente resolve quando?"
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