sábado, 26 de junho de 2010

Não é fácil simplesmente torcer pelo Brasil! Suzaninha que o diga!


 Suzana, que agora tem 3 anos, é viva, gozadora, irônica
No dia do amistoso Brasil x Tanzânia, a tia dela apareceu em casa com um uniforme completo, verde-amarelo do Brasil, com meião e tudo.
Disseram a ela que essas são as cores do Brasil, etc.
Como jovem e nova torcedora, cheia de alegria, veio ela na hora do jogo toda uniformizada, trazendo uma enorme bandeira do Brasil.
Quando os times entraram, ela começou a festejar os atletas de verde amarelo.
A Tanzânia vestia verde-amarelo!  
Explicaram à confusa Suzaninha que os verde amarelos eram de outro time.
 Como assim? Ela não entendia nada!
 Aí entra o Brasil, vestido de azul! Ai, ai, ai! Mais uma vez a perplexidade:
- "Os azuis são Cuzêlo, vovô? "
Mais explicações e ela sem entender nadica de nada !
Ofendida, quando as seleções se perfilaram para o hino nacional, ela notou.
-"Ih! São todos pêtos, né?"
Mais explicações de "esse é outro time, não é o Brasil" 
E mais confusão, pobre Suzaninha!
 Vai daí que ontem, no dia do jogo Brasil x Costa do Marfim, lá vai Suzana, linda e orgulhosa, uniformizada prá escolinha.
O porteiro de lá, um negro, também com camisa verde amarela, festejou:
-"Então Suzaninha, já tá uniformizada prá torcer pelo Brasil?"
 Ela olhou bem prá ele, muito friamente e disse:
- "É. Mas nós não somos do mesmo time!"
 Desde então, ela achou uma explicação aceitável prá ela:
 "Azul é Cuzêlo, verde-amarelo, se for "banco" é "Basil", se for "pêto" é do "outo time".
E estamos conversados.
 Quem é que consegue convencê-la de que não é bem assim?

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Mentira ou exagero?

Um dia Bê aparece, cabeça baixa e tristonho, lágrimas nos olhos.
Não era sua atitude habitual, agitada, desatenta, pouco ligada ao que se falava com ele.
Senta-se e me confessa envergonhado:

- Meus colegas estão me chamando de mentiroso! Estou muito triste.

- Mas o que você imagina que os está levando a chamá-lo assim? Mentiroso?

- O que eu digo não é mentira, mas dependendo do caso, eu enfeito um pouquinho, senão o caso fica muito sem graça e ninguém vai me dar atenção!

-???

-Por exemplo, domingo meu pai matou uma cobra lá no sítio.

- É?? Respondi interessada.

-É!

-E como foi?

- Eu disse que era uma cobra de dois metros de comprimento e dois palmos de largura, parecia uma jibóia! Meu pai, quando ela abriu a boca para nos atacar, enfiou um pau atravessado na boca da serpente, para ela não nos engolir. Em seguida, tirou seu revolver da cintura e atirou seis vezes na boca do monstro! Não teve erro! Morreu na hora!

- E foi mesmo assim?

-Ah... mais ou menos! Era uma cobrinha de um palmo de comprimento e meu pai a esmagou com sua bota, de uma vezada só!
Agora me diga. Você acha que os meus amigos achariam graça nesta história?
- Você acha que o que falou é mentira ou exagero?

- Ah, sei lá!

- Bê, o problema é que você pensa que o que diz é pouco. Que o que é, é pouco. Daí exagera! Lembra quando tomou aquela injeção horrorosa, quando teve dor de garganta? A injeção danada doía mais que tudo? A danada doía tanto que ninguém conseguiria ficar calado ou não chorar?
- Lembro! Não derramei nem uma lágrima! Não dei nem um pio!
-Viu? Que é que você acha? A história da injeção é mentira ou exagero?
Bê ficou pensativo sobre o que seriam exageros para mais e exageros para menos, mas, exageros.
Muitos meses depois, por ocasião do Natal, levou-me um jogo de lençóis floridos de presente.
Agradeci-lhe, entusiasmada. Então ele disse:
- Amiga, não precisa exagerar! Foi um custo arrancar este jogo de lençóis de uma banca de liquidação da loja de meu pai, aquele “munheca” ! Foi o melhor que pude conseguir, mas não é nada de mais.
Não exagera. não!





sábado, 12 de junho de 2010

Dadó, a viralata


Era uma cachorrinha vira-lata, muito linda, de olhos cor de mel!


Porque não tinha dono, vivia virando latas de lixo, em busca de comida.


Andava atrás de qualquer um que a alimentasse.


Não tinha nome, porque não tinha dono.


Um dia ela acompanhava um vaqueiro que levava sua vaca

 para o pasto, quando passou perto de um lugar muito

 bonito.

 Estavam construindo uma casa e ela pensou:


-Ah! Como gostaria de ter um dono e um nome.


Como adoraria ter uma casa!


Como seria bom ter comida e carinho!


Eu ficaria tão feliz!


E, assim pensando, ela chegou perto da construção.


Um pedreiro viu aquela linda cachorrinha, chamou-a e lhe deu comida.


O pedreiro viu-a tão magrinha e suja e pensou:


-Ô gente, que pena! Esta cachorrinha dá dó!


Então ele começou a chamá-la assim: “Dadó”.


Dadó não se incomodou. Ficou feliz! Agora já tinha um nome! Quem sabe até já teria um dono?


Abanou o rabo e corria, corria de pura alegria! E pulava, comia, dormia, brincava, até ficou gordinha!


Os dias se passavam e a casa ficava, cada dia, mais linda.


E Dadó pensava:


-E quando a casa ficar pronta, o que será de mim? Será que vão me levar?Será que vão me deixar?


E aí Dadó ficava triste...


E um dia, finalmente a casa ficou pronta.


Vieram os donos da casa. Dadó olhou para eles desconfiada.


Os donos olharam para ela, curiosos, com carinho.


Dadó ficou tão aliviada!


-Será que vão ficar comigo?


Ela pensou, pensou e quase chorou.


Já viram cachorro chorar? Dá dó!


Então, veio o menino, filho dos donos da casa, que se chamava Léo.


Ele ficou encantado com Dadó e disse:


-Que cachorrinha mais linda! Que olhos cor de mel! Nunca vi vira-lata mais chique! Como ela é amável! Como abana o rabo! Como é que ela se chama?


O pedreiro disse:


-Ela se chama Dadó, porque quando chegou aqui, dava dó!


Léo disse:


- Ah, coitada! Mas agora ela está tão linda e bem cuidada! Posso ficar com ela?


O pedreiro disse:


-Pode, sim. Tenho que ir embora, agora que a casa está pronta e não poderei levá-la.


Léo corria pela grama e pulava de alegria e Dadó pulava atrás dele e abanava o rabo e latia.



Foi então que Léo parou e pensou:


De hoje em diante vou mudar o nome dela. Não será mais Dadó, porque ela não vai mais dar dó.


Vai ser Isadora!


Um nome muito bonito para uma cachorrinha muito linda e muito querida!


Isadora, se soubesse sorrir, sorriria. Mas ela só sabia abanar o rabo.


E assim ela fez.


Abanou muito e muito e muito o rabo!


De pura alegria!

sábado, 29 de maio de 2010

Confidências ...na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapé...

Era o aniversário da mamãe.

Espevitada e linda, agitada e dançarina, ela corria por todo lado no restaurante onde rolava solto o maior samba.

Comemorava-se, com entusiasmo, o dia especial!

Vovó já havia notado que, inúmeras vezes, mamãe chamava-lhe a atenção, ou recomendava-lhe cuidado para não cair.

 Outras tantas, dizia-lhe para não chegar perto da varanda alta, porque havia perigo.

Foi anoitecendo e a moreninha levada chegou perto da vovó e pediu muito faceira:

-Vovó, será que eu poderia dormir hoje na sua casa? É que eu gostaria que papai e mamãe ficassem bem à vontade para namorar, já que é o aniversário dela!

Vovó concordou logo e achou os propósitos da netinha tão engraçadinhos e cheios de carinho!

Terminada a festinha dançante, vovó colocou a netinha no banco de trás do carro, onde as crianças devem ficar de cintos afivelados, etc. e tal e partiu para seu sítio.

No caminho, ouviam música e vovó cantarolava. A netinha, em silêncio.

De repente, diz ela:

- Vovó, minha mãe é uma pessoa tão legal, não é?

Vovó concordou imediatamente, mas desconfiou que viesse lá alguma observação a mais. Por via das dúvidas repetiu:

- Acho mesmo a sua mãe super-legal!

Aí veio o complemento:

- Mas... é difícil, né?!

Vovó atrapalhada e divertida com a observação respondeu:

- Mas toda mãe é assim: super-legal, mas, difícil!

A netinha, querendo ser agradável disse:

- Mas você não é difícil!

- Mas eu não sou sua mãe, sou avó! Pergunte a seu pai e ouça! Aposto que ele concorda com você.

“Mãe é super-legal... mas é difícil!”

Ela sorriu largamente, entendendo perfeitamente o que a avó teria querido dizer!

E continuaram estrada a fora, cantarolando até chegarem...com Kid Abelha...

"...na rua, na chuva, na fazenda   ou numa casinha de sapé..."

sexta-feira, 28 de maio de 2010

SEMPRE FELIZ !


Fefê, aos 3 aninhos, era também conhecida como “formiguinha atômica.”
Às vezes a chamavam carinhosamente de “espírito de grilo”.
Às vezes de “baratinha tonta”.
Sempre carinhosamente, pois ela enchia a casa, correndo agitada e vibrante pelo casarão da avó, aos domingos.
Ninguém se incomodava, pois isso era o costume dela. Alegria, movimento, palavras, perguntas, gritinhos de quem está na vida e não é de brincadeira!
 È bom explicar que, para quem está na vida pra valer, brincadeira é coisa muito séria!
Foi então que, num belo domingo, dos sempre domingos, resolvi perguntar a ela:
-Por que estes pulos e esta gritaria toda?
-Sou FILIZ, responde a baixinha com um grande sorriso!
-Legal, pensei, dá pra entender sem dificuldades a declaração dela.
Mas foi então que, num momento seguinte, debulhada em lágrimas, ela chorava pela casa.
- Que é que houve? Por que os gritos e o choro?
Ela parou de repente, fez uma carinha de quem pensava rápido e não teve dúvidas!
Respondeu imediatamente:
-Porque eu sou FILIZ!
Passou-se algum tempo até que pude entender o que ela me dizia...
O sujeito é sempre feliz!
A vida não é feita só de versos, mas, também, dos contra-versos, dos controversos.
A vida é também feita dos avessos e não só dos direitos.
Mesmo no sofrimento, haja o que houver, sem descanso, há sempre um lugar onde existe satisfação.
E continuei pensando, pois ela não parecia contente naquela hora.
Mas com certeza, era feliz!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Dinho, o detetive, e os mistérios da vida...



Dinho andava muito curioso a respeito de varias coisas na vida...

Como os bebês nasciam? De onde eles vinham? Do céu? De um pé de alface como a vovó dizia? A cegonha, que ele nunca tinha visto, trazia?

O fato é que, de repente, não mais que de repente, tinha aparecido um neném muito pequenininho, muito bonitinho, na casa dele. E o pior. Todas as pessoas estavam encantadas! Até se esqueciam de prestar atenção às gracinhas de Dinho!

Era um mistério que ele queria desvendar.

Mas toda a vez que ele se arriscava a perguntar a alguém, as pessoas sorriam...

O que é que tinha de tão engraçado querer saber disso?

Ele tinha até pensado em se tornar detetive!

Ficava se imaginando de binóculos, luneta, para quando quisesse enxergar mais longe do que a janela do vizinho, chapéu xadrez, lupa para examinar coisas pequenininhas, uma cadernetinha de anotações, para não se esquecer de nada que pensasse ou descobrisse!

Mas era difícil aquele assunto!

Dinho pensava e pensava. Por onde começar sua pesquisa? Perguntou então a seu amiguinho Fá, que era muito observador e gostava de desmontar peça por peça seus brinquedos:

- Fá, você, que gosta de montar e desmontar quebra-cabeças, ajude-me a descobrir umas coisas. Estou curioso, mas não descubro como apareceu aquela coisinha lá em casa!

Fá perguntou surpreso:

-Que coisinha?

-Aquele neném, de cara redonda que mamãe trouxe do hospital, depois do ultimo Natal! Papai Noel já tinha até passado!

Fá, muito sério, respondeu:

- Posso ajudá-lo a pensar, mas não sei se consigo ajudar muito, porque na minha casa nunca chegou um neném depois de mim! Quando eu cheguei, já estavam lá todos os meus irmãos.

Dinho insistiu:

-Mas você não fica curioso de saber de onde você veio?

- Ah! Não tinha pensado muito nisto não! Mas um dia ouvi a empregada dizer que tinha um neném na barriga dela, por isto é que ela ia parar de trabalhar. Quando eu perguntei por que não estava no retrato de casamento de papai e mamãe, ficaram rindo e disseram que eu devia estar ainda no céu. Meu nome é Rafael, nome de um anjo! Será que eu era um anjo?

-Só se for antes de nascer, Fá, porque você hoje mais parece é um capetinha! Dinho deu uma risada.

-Outra coisa que ouvi dizer, e Fá fez uma cara malandrinha, é que, para o neném nascer, o papai e a mamãe ficam namorando!

-Ih! Eu estou meio desconfiado disso. Eles adoram namorar. Saem, vão ao cinema e não me levam!Dinho se despediu de Fá e prometeu continuar suas pesquisas. Melhor dizendo, sua investigação.

Escondia-se por trás das portas, não gostava de dormir cedo, acordava de madrugada, tudo pra ver e xeretar o que papai e mamãe faziam o tempo todo em que estavam juntos. Até que um dia, bem cedinho, quando se levantou, encontrou na pia da cozinha um prato com ossos de frango.

Dinho pensou e pensou e gritou:

-Achei! Achei a solução de meu mistério!

Correu até o quarto de papai e mamãe e gritou:

-Já sei o que vocês ficam fazendo debaixo das cobertas, quando estou dormindo!

Os pais muito espantados com o grito de Dinho, olharam-se em silêncio e riram Dinho disse:

- De novo vão rir de mim?

- Diga, meu filho, o que ia nos dizer. Não se preocupe conosco.

Dinho armou-se de coragem e declarou, gaguejando:

- Depois de muitas investigações, cheguei a uma conclusão muito importante! Já sei o que vocês ficam fazendo debaixo das cobertas, à noite, quando eu estou dormindo! Comendo um delicioso frango assado! E não me dão nem um pedacinho! Sabia que era uma coisa boa! Logo a coisa que eu mais gosto! Frango assado!

E Dinho saiu correndo para contar ao Fá o que havia descoberto, para, é lógico, continuar as investigações.

Estava até achando que era muito legal ser detetive!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Há coisas de que a gente gosta...mas não a ponto de comer!!!!


Um dia Dinho foi convidado pela tia Lucília para ir a uma fazenda muito bonita.

Ele ficou radiante!
 Sabem o que é radiante?
Muito contente! Muito feliz!
Como se de dentro dele saissem raios!
Como se sua carinha brilhasse como o sol!
Dinho queria muito ir a uma fazenda!

Ele morava na cidade e mal conhecia o mato e os animais.

Ele só os tinha visto pela televisão e pelos livros!

Um dia até achou que os chifres de uma vaca eram chaminés!...

Que vergonha! Todo mundo riu dele!

Agora poderia ver uma fazenda com tudo isso, animais e plantas de verdade!

Seria sua grande chance!

Chegou o grande dia e lá se foram Tia Lucília, Dinho e seus primos.

Dinho arregalava os olhos para tudo! Que beleza! Que estranho! Quantas novidades!

Aí chegou a hora do almoço.

Ih! Dinho não gostava de comer muitas coisas! Como ia ser?

A cozinheira, muito simpática, ofereceu:

-Querem arroz? Querem feijão? Querem bife? Querem cenoura?

Dinho pensou:

-Ai, ai, ai! Como vou fazer? Tenho de aceitar comer de tudo!

A cozinheira insistiu:

-Você gosta de cenoura, Dinho?

-Gosto, respondeu ele.

Então ela pôs a comida no prato.

Dinho comeu tudo e deixou a cenoura num cantinho.

A cozinheira veio recolher os pratos e estranhou:

-Uái, Dinho, você não falou que gostava de cenoura?

Dinho, muito esperto, respondeu:

-Falei!

A cozinheira, atrapalhada, não entendeu.

-Uái, Dinho, porque então não comeu?

E Dinho, realmente sempre esperto, respondeu:

- Eu gosto, uái, mas não a ponto de comer!!!

Tia Lucília não sabia se ficava brava ou se ria.

Os primos rolavam de rir...

Há coisas de que a gente gosta....mas não a ponto de comer!!!