A mãe se jogou, triste e cansada das pelejas da vida, na cama que ali se oferecia para ela.
Quietinha, não tinha vontade de se levantar para nada naquele dia...
Seu filho de 3 anos, vinha e voltava e a olhava..
Vinha e voltava e a olhava...
Nada de mamãe, sempre tão alegre e ativa, se levantar...
Foi então que apareceu muito vivo, com seu cobertorzinho predileto, o azulzinho de flanela maciinha, aquele com cheirinho de muito usado, mas muito querido, que ele chamava de "minha bebete"!
Dormia com ele (ou será ela, a "bebete"? ) todas as noites...sem falta!
Será que era sem falta mesmo? Mas que era um conforto, lá isso era!
E de mansinho, se aproximou da mamãe, beijou-a e disse:
-Mamãe, não fique triste! Eu te empresto o meu cobertorzinho! Quando eu estou triste eu passo a mão nele, assim, de levinho, bem na beiradinha e aí fica tudo muito melhor!
Mamãe compreendeu a aflição do pequenino, agradeceu o carinho e tratou de pular da cama!
A vida estava lá, nas mãozinhas dele, que lhe ensinava alguma coisa!
Criantia, criança, em latim, é o que está em criação. Criantia e Contos é um lugar onde se pretende escrever o que dizem as crianças sobre a vida e a morte, questões que a todos nós nos provocam e fazem trabalhar! Como blogger, um mediador, faço passar a quem queira ouvir, o que elas nos ensinam! Ouçam, leiam e se divirtam!
segunda-feira, 23 de maio de 2011
domingo, 8 de maio de 2011
"Ralando na verdura"? Isso não é justo!
A adolescente, ainda iniciante nos programas 'up to date'...tais como sair com os colegas, chega de mansinho para conseguir a autorização da mãe:
- Mãe...já está na hora de você me deixar ir com meus colegas ao shopping depois da aula, ao cinema...
Nem terminou e a mãe:
-Ainda é muito cedo, você ainda nem fez 11 anos, apesar do tamanho...!
-Ah, mãe, que é que tem? A gente só vai comer hamburguer, tomar sorvete, conversar...
E a irmãzinha pequena, sempre de olho, admirada e atenta à irmã. acompanhava com cuidado a conversa.
A maior insistia, a mãe negava e a pequenina observava.
Até que, finalmente, não resistiu à tentação de meter sua colherinha de pau na conversa:
-Com licença! Tenho uma observação a fazer!
A mãe:
-O quê?´
-Não estou achando justo esta história da minha irmã ir pro shopping durante a semana, comer hamburguer, tomar sorvete...
-?????
-Uái! Aqui em casa, não é regra que a gente não come besteiras durante a semana? Só come comidas saudáveis?
Tá certo que ela é maiorzinha que eu e pode fazer coisas que eu não posso!
O que não acho mesmo justo é ela ir pro shopping comer estas coisas boas durante a semana e eu ficar aqui em casa só "ralando na verdura"!
domingo, 1 de maio de 2011
A verdade, mesmo que calada por um tempo... acaba dando as caras!
Ao fazer, com a avó, uma visita à dona Maria, sorveteira no interior, Aninha falou baixinho para a avó:
-"Ih! Essa casa é feia e velha!"
A avó colocou o dedo nos lábios pedindo silêncio. Apertada, Aninha cochichou:
- "Você acha que ela ouviu?"
E a avó:
- "Não sei, filha, mas, se ouviu, ela vai ficar muito triste."
A visita continuou e Aninha cada vez mais calada e embutida.
Até que depois de tomar um sorvete, dona Maria se ofereceu para lavar as maozinhas meladas da menina.
A avó sentia-se, a bem da verdade, aliviada pelo fato de dona Maria, tão gentil, não ter ouvido nada...
Enquanto dona Maria lavava as mãozinhas de Aninha, a garotinha voltou para ela os olhos marejados de lágrimas e exclamou:
- "Desculpe, D. Maria, me desculpe, por favor!"
Surpresa, a mulher disse:
- "Desculpar o quê, Aninha?"
E ela se debulhando em soluços:
- "Por eu achar que sua casa é feia e velha!".
quarta-feira, 27 de abril de 2011
A verdade é impiedosa e tem de ser, pelo menos, revestida!
Suzana, sobrinha neta de tia Sol, quatro anos, como toda criança é de uma franqueza impiedosa, mas, é também conhecida pela sua ironia.
Há pouco tempo, recebeu um "carão" do tio:
- "Suzana, não se pode dizer que uma pessoa é feia! Ela vai ficar muito triste e magoada! Diga, no máximo, que ela é simpática e pronto!"
Recado dado, eles partiram para visitar uma parenta velhinha que queria muito conhecer a menina.
Feliz com a visita da criança e não tendo com que presentear a pequena, a senhora pegou um horrendo colar de contas e colocou no pescoço da garota.
Suzaninha, diante do olhar severo do tio, manteve a coisa no pescoço, quase sem se mexer, durante toda a visita. De repente a senhora exclama:
- "Então, Suzana, gostou? Não é lindo o colar?"
A menina olhou firme o tio e soltou essa pérola:
- "O colar é MUUUUUITO simpático, não é, tio?"
Esta crônica da sinceridade infantil, até me lembrou outra, parecida, já contada no blog, que pode ser acessada pelo link abaixo, onde a verdade, que não é muito fácil de se ver ou sustentar, tem de pelo menos ser tocada ou ouvida!(http://criantiaecontos.blogspot.com/2010/08/gostei-mas-quero-cuspir.html)
sábado, 16 de abril de 2011
Ovos de Páscoa, o menino esperto e a mãe
Léo e a mãe iam da escola para casa numa bela tarde de outono, como aquelas em que um friozinho se avizinha, mas ainda não deu de fato as caras, num mês de abril.
Era quase Páscoa.
A conversa rolava solta entre eles, como sempre acontecia quando mamãe ia buscá-lo na escola.
Assuntos variados, blá, blá, blá, como tinha sido o dia, o que houve de interessante na aula, etc.
Eis que mamãe, então, começa uma consideração sobre a Páscoa.
Como seria a comemoração, as brincadeiras e, então, o que ela havia pensado sobre “ovos de páscoa”:
-Meu filho, como os ovos de páscoa estão caros! Absurdo o que se cobra, só porque é Páscoa, por 100 ou 200grs de chocolate! Você não acha?
Léo, só calado, ouvindo...
- Muito melhor seria, afinal, comprar uma barra de chocolate, de chocolate puro, maciço, muito mais gostoso e mais justo!
Léo, só calado, ouvindo...
- Acho que é o que vou fazer! Comprar uma bela barra de chocolate para você e para seus irmãos! O que você acha?
Foi então que decidida e firmemente Léo, finalmente se manifestou:
-Eu acho que você pode fazer o que achar melhor...
mas se eu não ganhar um ovo de páscoa nesta Páscoa... isso vai lhe custar anos de análise para mim!
A mãe, entre surpresa e divertida, percebeu o sentido da proposta que estava fazendo e, por que não, a inteligência brilhante e perspicaz do filhote de analista!
Ovos de Páscoa, afinal, não custavam tanto!
Ovos de Páscoa valiam muito!
Ovos de páscoa ...
ah...que será que significavam para cada criança neste mundo??
quarta-feira, 13 de abril de 2011
IMPOSTOS, EXCESSOS, preocupação das crianças também!
Dinho observava, atento, sempre, o que se passava à sua volta.
Era calado, mas preciso, quando se manifestava...
Dificuldades financeiras, comentários preocupados dos pais com as contas, impostos, compromissos, o dia a dia eram registrados por ele.
Algumas coisas mais repisadas lhe soavam importantes.
Tentava entendê-las e se informar, tirar conclusões e se situar na vida, como fazem todas as crianças, a partir do que ouvem das pessoas próximas.
Então, um dia, acompanhando a mãe ao trabalho, viu passar uma colega dela, cujo 'traseiro' era consideravelmente grande...
Olhou, olhou e finalmente concluiu seriamente:
- Nóooo, mãe! Se bumbum pagasse imposto, essa moça estaria na miséria, hein?
-??!!!!
domingo, 10 de abril de 2011
Amigo é coisa pra se pensar...
Mariana, sempre deu o que pensar com as questões que colocou sobre a vida, para os adultos.
Mas, ela também, pensa...
E diz:
-A amizade é coisa que a gente pensa e repensa...
-Como assim? pergunta a avó.
- Quando a gente gosta de alguém, a gente pensa e pensa e repensa o dia inteiro na pessoa que a gente gosta, não é?
-É verdade...ouve a avó aguardando o que se segue.
-Mas também é preciso que a gente pense e repense as amizades...o que elas são, se valem a pena.se são verdadeiras.
Então, amizade é coisa que a gente pensa e repensa, é ou não é?
A avó vê que algo, naquele minuto, se conclui.
Está dito e, ao que parece, feito, por Mariana.
Amizade é algo muito importante para ela, não resta dúvida!
E pra quem não é?
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