terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O que é gratidão??




A professora, enlevada, contava às crianças a história da mamãe vaca que, distraída, comendo alegremente seu capim havia perdido de vista seu bezerrinho...Que mãe já não teria passado por isso? E a vaca procura e procura e...angustiada, se é que vacas se angustiam, já teria dado seu bezerro por perdido, quando..
A professora faz o  “suspense...
Quando um garotinho, também filhote, do vaqueiro da fazenda, vem trazendo pelo cabresto, uma fina cordinha de nada, o bezerro fugido.
A vaca muge de alegria!
 A vaca muge, sabe-se lá de quê...e o bezerrinho é “entregue”à mãe.
 A vaca, diz a professora, em sinal de gratidão, feliz pelo filhotinho recuperado pelas mãos do garoto, lambe vigorosamente a mão do menino.
Final feliz, as crianças aflitas, estas sim, respiram e suspiram aliviadas!
 O encontro de mãe e filho aconteceu.
A professora, ciosa de seu papel de educadora, pergunta:
-Quem sabe me dizer, depois de ouvir a história, o que é gratidão?
Uma menininha, olhinhos vivos, cabelinho louro, afiada, levanta a mãozinha.
-Eu!
A professora, também feliz, pensando no resultado de seu ensinamento:
-Diga!

-Gratidão é... UMA LAMBIDA DE VACA NA MÃO!


Com crianças e com ‘loucos’as palavras são coisas...e exigem trabalho...como os sonhos.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

TEMQUE! Que é isso?




Um dia, numa prosa informal, como são aquelas com crianças, se a gente quiser levar uma conversinha boa, a garotinha mais que marota e levada me lança uma questão. Séria, ela me pergunta:

-Ângela, o que é TEMQUE?

Eu, surpresa e sem entender nada, retorno a questão:

-TEMQUE?

-É... porque eu não sei o que quer dizer. Só sei que minha mãe vive falando isso, sem parar!

“TEMQUE tomar banho, TEMQUE estudar, TEMQUE guardar os brinquedos, TEMQUE dormir cedo...TEMQUE dizer muito obrigado...TEMQUE, TEMQUE, TEMQUE!

-Caí na risada e pensei...

-Ih! Quantos ‘TEM QUE’ na vida! Imposições da educação, imperativos categóricos e às vezes cruéis com os quais, cada um ‘tem que’ lidar e se virar com eles!!!

A menininha, pelo menos, já se deu conta de que é algo a se considerar. Registrou a fala materna como uma lei a ser levada em conta, até para fazer a sua crítica!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

E se nascer um cachorro?




Dinho trançava pra lá e pra cá, inquieto desde que mamãe anunciou que ele teria mais um irmãozinho...

Agitado, subia nos sofás, descia da cama, às vezes falava demais, às vezes calava demais.

Muito interessante, quando estava nervoso, arrumava suas gavetinhas.
Colocava em ordem as cuequinhas as meias, as camisas.
A mãe observava preocupada com o que estaria se passando na cabeça do filho, pois, afinal, arrumar as suas coisas e pertences não era um comportamento nele, até então, habitual. Pelo contrário, ela tinha sempre que insistir pra ele colocar ordem em seus brinquedos deixados jogados no chão, ocupando a casa como se a casa fosse um mundo só dele.

Definitivamente, a notícia de um irmão que viria estava perturbando o menininho.

Até que um dia, desconfiado, ele lança de súbito a grande pergunta:

- E se, ao invés de um nenê, nascer um cachorro?

A mãe sorriu e perguntou:

-Como você acha que seria se fosse um cachorro?

-Ah... Ele me obedeceria, eu poderia brincar com ele, levá-lo a passear e não iria ser chato!

Com certeza, não ia ser chato! Nem iria ameaçar o reinado, até agora único, do esperto menininho de 3 anos!

sábado, 24 de setembro de 2011

Papai, me deixa namorar com 16?

Questões na cabeça, questões postas na roda!
Assim a baixinha invocada vira e mexe faz.
Bia, 7 anos, chega no papai e diz:
-Papai, quando eu tiver 16 anos, você vai me deixar namorar?
-Uái, por que você está perguntando? o pai já se preparando para outra prova de fogo e de jogo de cintura...
-Porque eu quero ter filho com 30 anos!
-???!!!??? E então?
- Porque eu quero começar a namorar com 16 anos, namorar muuuuito, casar e ter filho com 30 anos!
-???Não entendi...
-Tô perguntando, porque se você não me deixar namorar com 16, por exemplo, só me deixar namorar com 18, vai me atrasar os planos todos!! Vou namorar muito casar mais tarde e só ter filho com 32!
Pobre papai! Que fique esperto com a malícia das mulheres,  já evidente na pequenina desde sempre!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O contador de histórias 'modificadas'! Jeito de mudar a vida!


Chiquinho adorava "modificar" as historinhas infantis que ouvia ou lia...
Parecia que, com isso, tentava, de modo criativo, reinventar, refazer o que nas histórias, ou lhe dava medo, ou aflição.
 Ou, talvez, simplesmente, encontrar um melhor desfecho.
Ah! Ele adorava finais felizes! As vezes, nem esperava os finais para tornar a história feliz!
Nas histórias que inventava, as maldades se tornavam coisas engraçadas, os personagens bonzinhos passavam a ser mais espertos, os caçadores cheios de 'manhas', as princesinhas, cheias de críticas a seu tempo e sociedade, os reis e rainhas, flexíveis e a vida mais leve.
Acho que era isso! Era preciso que a vida e as pessoas fossem mais leves!
Chiquinho era criativo e sonhador...mas nem tanto!
Um belo dia descobriu o interesse que provocava nos amiguinhos e colegas e até nos irmãos.
 Muniu-se de seu charme e convidou-os para uma "sessão de historinhas". O ingresso seria cobrado! Duas moedas seriam suficientes, mas necessárias! A primeira estória do programa seria "Chapeuzinho Vermelho Modificada"! As crianças que costumavam ouvir de graça as histórias de Chiquinho, primeiro reclamaram! Mas, que fazer? adoravam aquelas modificações! Que aconteceria? Chapeuzinho iria de carro pra casa da avó? O lobo se disfarçaria de vendedor de livros? Ela toparia o convite pra depois deixá-lo com cara de bobo na porta da Delegacia?
Não resistiram e a partir daí, muitas dessas sessões de 'histórias' se realizariam!
Desconfio que uma carreira de "Contador de Histórias" aí se iniciou...ou não.
Apenas a de um fazedor de histórias que insistentemente tentava fazer a vida mais suave e crítica!

sábado, 18 de junho de 2011

Verdade e Vergonha, duas palavras e uma criança

O menininho inteligente e curioso passeia com a mãe.

De repente encontram uma grande amiga dela, conhecida da criança.

As duas conversam que conversam e conversam.

A criança observa, atenta.

Falam, com certeza, de outras pessoas, da vida, assuntos variados que não acabam mais...

De repente surge da criança uma pergunta que a mãe teria preferido ignorar.
 Ela até tenta.
Mas a criança insiste e a repete:

_Ô Fulana? Por que é que você não se casou?

A amiga se recompõe, suspira fundo, vai ao fundo de seu repertório de ‘respostas prontas para meninos curiosos e incômodos’ e diz titubeando:

-Ah, querido, é muito complicado de explicar...
E sorri um sorriso frouxo e inibido, quase amarelo.

O menino, quase matando a mãe de vergonha:

-Precisa explicar não. Eu sei o porquê. É por que você é feia demais!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A tristeza da mamãe, o menino e o cobertorzinho mágico!

A mãe se jogou, triste e cansada das pelejas da vida, na cama que ali se oferecia para ela.
Quietinha, não tinha vontade de se levantar para nada naquele dia...
Seu filho de 3 anos, vinha e voltava e a olhava..
Vinha e voltava e a olhava...
Nada de mamãe, sempre tão alegre e ativa, se levantar...
Foi então que apareceu muito vivo, com seu cobertorzinho predileto, o azulzinho de flanela maciinha, aquele com cheirinho de muito usado, mas muito querido, que ele chamava de "minha bebete"!
Dormia com ele (ou será ela, a "bebete"? ) todas as noites...sem falta!
Será que era sem falta mesmo? Mas que era um conforto, lá isso era!
E de mansinho, se aproximou da mamãe, beijou-a e disse:
-Mamãe, não fique triste! Eu te empresto o meu cobertorzinho! Quando eu estou triste eu passo a mão nele, assim, de levinho, bem na beiradinha e aí fica tudo muito melhor!
Mamãe compreendeu a aflição do pequenino, agradeceu o carinho e tratou de pular da cama!
A vida estava lá, nas mãozinhas dele, que lhe ensinava alguma coisa!