sábado, 24 de setembro de 2011

Papai, me deixa namorar com 16?

Questões na cabeça, questões postas na roda!
Assim a baixinha invocada vira e mexe faz.
Bia, 7 anos, chega no papai e diz:
-Papai, quando eu tiver 16 anos, você vai me deixar namorar?
-Uái, por que você está perguntando? o pai já se preparando para outra prova de fogo e de jogo de cintura...
-Porque eu quero ter filho com 30 anos!
-???!!!??? E então?
- Porque eu quero começar a namorar com 16 anos, namorar muuuuito, casar e ter filho com 30 anos!
-???Não entendi...
-Tô perguntando, porque se você não me deixar namorar com 16, por exemplo, só me deixar namorar com 18, vai me atrasar os planos todos!! Vou namorar muito casar mais tarde e só ter filho com 32!
Pobre papai! Que fique esperto com a malícia das mulheres,  já evidente na pequenina desde sempre!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O contador de histórias 'modificadas'! Jeito de mudar a vida!


Chiquinho adorava "modificar" as historinhas infantis que ouvia ou lia...
Parecia que, com isso, tentava, de modo criativo, reinventar, refazer o que nas histórias, ou lhe dava medo, ou aflição.
 Ou, talvez, simplesmente, encontrar um melhor desfecho.
Ah! Ele adorava finais felizes! As vezes, nem esperava os finais para tornar a história feliz!
Nas histórias que inventava, as maldades se tornavam coisas engraçadas, os personagens bonzinhos passavam a ser mais espertos, os caçadores cheios de 'manhas', as princesinhas, cheias de críticas a seu tempo e sociedade, os reis e rainhas, flexíveis e a vida mais leve.
Acho que era isso! Era preciso que a vida e as pessoas fossem mais leves!
Chiquinho era criativo e sonhador...mas nem tanto!
Um belo dia descobriu o interesse que provocava nos amiguinhos e colegas e até nos irmãos.
 Muniu-se de seu charme e convidou-os para uma "sessão de historinhas". O ingresso seria cobrado! Duas moedas seriam suficientes, mas necessárias! A primeira estória do programa seria "Chapeuzinho Vermelho Modificada"! As crianças que costumavam ouvir de graça as histórias de Chiquinho, primeiro reclamaram! Mas, que fazer? adoravam aquelas modificações! Que aconteceria? Chapeuzinho iria de carro pra casa da avó? O lobo se disfarçaria de vendedor de livros? Ela toparia o convite pra depois deixá-lo com cara de bobo na porta da Delegacia?
Não resistiram e a partir daí, muitas dessas sessões de 'histórias' se realizariam!
Desconfio que uma carreira de "Contador de Histórias" aí se iniciou...ou não.
Apenas a de um fazedor de histórias que insistentemente tentava fazer a vida mais suave e crítica!

sábado, 18 de junho de 2011

Verdade e Vergonha, duas palavras e uma criança

O menininho inteligente e curioso passeia com a mãe.

De repente encontram uma grande amiga dela, conhecida da criança.

As duas conversam que conversam e conversam.

A criança observa, atenta.

Falam, com certeza, de outras pessoas, da vida, assuntos variados que não acabam mais...

De repente surge da criança uma pergunta que a mãe teria preferido ignorar.
 Ela até tenta.
Mas a criança insiste e a repete:

_Ô Fulana? Por que é que você não se casou?

A amiga se recompõe, suspira fundo, vai ao fundo de seu repertório de ‘respostas prontas para meninos curiosos e incômodos’ e diz titubeando:

-Ah, querido, é muito complicado de explicar...
E sorri um sorriso frouxo e inibido, quase amarelo.

O menino, quase matando a mãe de vergonha:

-Precisa explicar não. Eu sei o porquê. É por que você é feia demais!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A tristeza da mamãe, o menino e o cobertorzinho mágico!

A mãe se jogou, triste e cansada das pelejas da vida, na cama que ali se oferecia para ela.
Quietinha, não tinha vontade de se levantar para nada naquele dia...
Seu filho de 3 anos, vinha e voltava e a olhava..
Vinha e voltava e a olhava...
Nada de mamãe, sempre tão alegre e ativa, se levantar...
Foi então que apareceu muito vivo, com seu cobertorzinho predileto, o azulzinho de flanela maciinha, aquele com cheirinho de muito usado, mas muito querido, que ele chamava de "minha bebete"!
Dormia com ele (ou será ela, a "bebete"? ) todas as noites...sem falta!
Será que era sem falta mesmo? Mas que era um conforto, lá isso era!
E de mansinho, se aproximou da mamãe, beijou-a e disse:
-Mamãe, não fique triste! Eu te empresto o meu cobertorzinho! Quando eu estou triste eu passo a mão nele, assim, de levinho, bem na beiradinha e aí fica tudo muito melhor!
Mamãe compreendeu a aflição do pequenino, agradeceu o carinho e tratou de pular da cama!
A vida estava lá, nas mãozinhas dele, que lhe ensinava alguma coisa!

domingo, 8 de maio de 2011

"Ralando na verdura"? Isso não é justo!


A adolescente, ainda iniciante nos programas 'up to date'...tais como sair com os colegas, chega de mansinho para conseguir a autorização da mãe:
- Mãe...já está na hora de você me deixar ir com meus colegas ao shopping depois da aula, ao cinema...
Nem terminou e a mãe:
-Ainda é muito cedo, você ainda nem fez 11 anos, apesar do tamanho...!
-Ah, mãe, que é que tem? A gente só vai comer hamburguer, tomar sorvete, conversar...
E a irmãzinha pequena, sempre de olho, admirada e atenta à irmã. acompanhava com cuidado a conversa.
 A maior insistia, a mãe negava e a pequenina observava.
Até que, finalmente, não resistiu à tentação de  meter sua colherinha de pau na conversa:
-Com licença! Tenho uma observação a fazer!
A mãe:
-O quê?´
-Não estou achando justo esta história da minha irmã ir pro shopping durante a semana, comer hamburguer, tomar sorvete...
-?????
-Uái! Aqui em casa, não é regra que a gente não come besteiras durante a semana? Só come comidas saudáveis?
Tá certo que ela é maiorzinha que eu e pode fazer coisas que eu não posso!
O que não acho mesmo justo é ela ir pro shopping comer estas coisas boas durante a semana e eu ficar aqui em casa só "ralando na verdura"!

domingo, 1 de maio de 2011

A verdade, mesmo que calada por um tempo... acaba dando as caras!



 Ao fazer, com a avó, uma visita à dona Maria, sorveteira no interior, Aninha falou baixinho para a avó:
-"Ih! Essa casa é feia e velha!"
A avó colocou o dedo nos lábios pedindo silêncio. Apertada, Aninha cochichou:
- "Você acha que ela ouviu?"
 E a avó:
- "Não sei, filha, mas, se ouviu, ela vai ficar muito triste."
 A visita continuou e Aninha cada vez mais calada e embutida.
 Até que depois de tomar um sorvete, dona Maria se ofereceu para lavar as maozinhas meladas da menina.
A avó sentia-se, a bem da verdade, aliviada pelo fato de dona Maria, tão gentil, não ter ouvido nada...
Enquanto dona Maria lavava as mãozinhas de Aninha, a garotinha voltou para ela os olhos marejados de lágrimas e exclamou:
- "Desculpe, D. Maria, me desculpe, por favor!"
Surpresa, a mulher disse:
- "Desculpar o quê, Aninha?"
E ela se debulhando em soluços:
- "Por eu achar que sua casa é feia e velha!".

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A verdade é impiedosa e tem de ser, pelo menos, revestida!



Suzana,  sobrinha neta de tia Sol, quatro anos, como toda criança é de uma franqueza impiedosa, mas, é também conhecida pela sua ironia.
Há pouco tempo, recebeu um "carão" do tio:
- "Suzana, não se pode dizer que uma pessoa é feia! Ela vai ficar muito triste  e magoada! Diga, no máximo, que ela é simpática e pronto!"
 Recado dado, eles partiram para visitar uma parenta velhinha que queria muito conhecer a menina.
 Feliz com a visita da criança e não tendo com que presentear a pequena, a senhora pegou um horrendo colar de contas e colocou no pescoço da garota.
 Suzaninha, diante do olhar severo do tio, manteve a coisa no pescoço, quase sem se mexer, durante toda a visita. De repente a senhora exclama:
- "Então, Suzana, gostou? Não é lindo o colar?"
 A menina olhou firme o tio e soltou essa pérola:
- "O colar é MUUUUUITO simpático, não é, tio?"

Esta crônica da sinceridade infantil, até me lembrou outra, parecida, já contada no blog, que pode ser acessada pelo link abaixo, onde a verdade, que não é muito fácil de se ver ou sustentar,  tem de pelo menos ser tocada ou ouvida!(http://criantiaecontos.blogspot.com/2010/08/gostei-mas-quero-cuspir.html)